Feeds:
Posts
Comments

A notícia não é boa, e as imagens são ainda piores. O Parque Aquático Constâncio Vaz Guimarães, o Ibirapuera, em São Paulo, em completo abandono. Bem isso talvez não seja coisa nova, o novo é o fato de terem secado todas as piscinas pois “estava se gastando muito dinheiro” para manter o local em “tentativa de funcionamento”.

Agora, um dos melhores parques aquáticos de São Paulo, de propriedade e administração do Governo do Estado de São Paulo está em estado de decomposição. Confira as imagens:

NOTA:

Há uma determinação passada pela supervisão do Parque Aquático em não permitir que sejam tiradas fotos do local. Aliás, quem tentou tirar fotos hoje pela manhã ou foi barrado ou “convidado”  a apagar as fotos tiradas. Rompemos esta determinação.

Desde muito tempo se conhece a importância do mar para a vida das pessoas e para odesenvolvimento da nossa civilização. O mar está presente na vida cotidiana de muita gente: das que vivem em seu entorno e até mesmo daquelas que se encontram longe dele.

O projeto NATAÇÃO NO MAR surge da necessidade de atender a estas pessoas, crianças, jovens, adultos e terceira idade. São aulas de natação no mar com um propósito que vai além do exercício físico. Por meio da prática da natação, o projeto busca melhorar a qualidade de vida dos alunos, desenvolvendo a consciência ecológica, prevenindo acidentes no mar e promovendo a integração e inclusão social.

O projeto propõe a prática da natação como esporte, como qualidade de vida, e perspectiva de futuro.
NATAÇÃO NO MAR tem a proposta de ensinar a nadar no mar, aperfeiçoar técnicas de natação e ensinar técnicas de salvamento. Iniciar o treinamento para maratonas aquáticas, primeiros socorros e conhecimentos básicos sobre o mar como: correntes marítimas, ventos e marés.

Hoje o Projeto Natação no Mar em Rio das Ostras atende a 480 alunos e possui uma lista de espera de 1300 candidatos e, em Copacabana atende a 150 alunos e uma lista de espera de 1500 candidatos.

Projeto Natação no Mar
  
http://www.natacaonomar.com.br/

Coordenadora: Izabel Thomas

e-mail: izabelthomas@hotmail.com

Fone: (22) 8811-7366

A algum tempo a seção bate-papo estava com poucos posts devido a compromissos de ordem diversas e indisponibilidade, mas essa semana tem um bate-papo com o prof. Paulo Murilo técnico do Saldanha da Gama, e aqui ele faz algumas considerações ao basquete nacional, bem como conta um pouco da sua história.

É autor do blog Basquete Brasil.

ESPORTE SOCIAL: Professor queria primeiramente agradecer a atenção e para quem não conhece o seu belo trabalho no basquete brasileiro, defina quem é Paulo Murilo.

Prof. PAULO MURILO: Professor e técnico, jornalista bissexto, na estrada do ensino, do desporto e da informação a mais de 50 anos, um homem simples como deve ser a vida.

ES: Conte para os leitores do Esporte Social como foi inicio de sua trajetória no basquete nacional? E de que forma esse seu caminho inicial moldou o seu belo trabalho até hoje?

Prof. PAULO MURILO: Comecei em 1958 no Grajaú TC inspirado pelo trabalho do técnico Geraldo da Conceição que até hoje, aos 84 anos prepara jovens em Brasília. Fundei a Escola Carioca de Basquete, e não mais parei, estudando sempre, buscando a excelência no trabalho, por mais simples que fosse, pois não existem limites ante o poder da vontade e da determinação. Sou feliz assim.

ES: No Esporte Social abri uma discussão sobre técnicos amadores como há nos Estados unidos, onde os pais pegam as crianças desde idade tenra e iniciam em algum esporte, mas forma descompromissada. Hoje, vejo uma grande resistência para a iniciação partir dos pais e não de associações onde eles pagam e jogam os filhos sem acompanhamento, o que o Senhor acha disso? Há algo a ser feito para que essa iniciação seja tão eficaz quanto nas potências esportivas?

Prof. PAULO MURILO: Sim, bastando levá-la para o seio da escola, matriz de todo o processo educacional e cultural de um país.

ES: Como o Senhor decidiu ser técnico de basquete e quais os maiores desafios do treinador dessa modalidade seja no contexto social, amador, semi-profissional ou profissional?

Prof. PAULO MURILO: Pela sofisticação e permanente desafio emanados do mesmo. Considero o basquetebol o mais refinado e inteligente de todos os desportos coletivos, uma verdadeira e autêntica escola de vida.

ES: Quais são os atributos essenciais para ser um técnico de basquete?

Prof. PAULO MURILO: Talento, sensibilidade e uma base de estudo poderosa e permanente, e acima de tudo amar de verdade o grande jogo.

ES: Como o senhor vê o basquete social praticado nos parques e quadras Brasil a fora, e como esses atletas ocasionais podem melhorar o seu desempenho?

Prof. PAULO MURILO: Como disse e afirmei antes, urge que desloquemos estes jovens para o âmbito da escola, local adequado ao seu pleno desenvolvimento.

ES: O basquete nacional não vive um bom momento em relação ao alto-rendimento. Quais sãs as principais deficiências do basquete de alto rendimento nacional? E quais as alternativas?

Prof. PAULO MURILO: A mediocridade na pratica e ensino dos fundamentos, substituindo-os por um sistema equivocado de jogo, padronizado e sob domínio pleno dos técnicos, retirando dos jogadores o livre pensar e a resultante criatividade. As alternativas perante tal realidade se tornam óbvias.

ES: O que o senhor mudaria no aprendizado do basquete no Brasil?

Prof. PAULO MURILO: O que sempre fiz ao ensinar o jogo pela prática dos fundamentos e pela adoção de sistemas livres e democráticos, de sistemas que ensinam a pensar, a ler o jogo.

ES: Os artigos no Basquete Brasil explicitam de maneira cirúrgica e sem rodeios as principais diferenças do basquete brasileiro, o europeu e o americano. Gostaria que o senhor definisse essas escolas e suas características?

Prof. PAULO MURILO: Os americanos voltados ao comercio e lucro da NBA, com regras próprias, e colocando seu particularíssimo modo de jogar a serviço de uma globalização exasperante e colonizadora, que de tal modo se deturpou, ao ponto de quase perderem a histórica hegemonia mundial na modalidade. Precisou que um técnico universitário, Coach K de Duke, os fizessem retornar aos princípios do grande jogo, principalmente no concerto das grandes competições internacionais, como as olimpíadas.

O basquete europeu, como o restante do mundo, seguindo o ditame das regras da FIBA, praticando o jogo verdadeiro, mas que aos poucos foi adotando alguns comportamentos advindos da NBA, principalmente quanto à forma de administrar as ligas, mas sem o poderio econômico avassalador da matriz.

O Brasil, tentando emular os comportamentos técnicos táticos da NBA, mas sob uma influencia de regras da FIBA, não soube administrar tal dualidade, perdendo aos poucos sua identidade de campeões mundiais por três vezes e quatro vezes medalhista olímpico.

ES: Quais as maiores dificuldades de ser um técnico de alto rendimento? Quais foram às maiores dificuldades nessa sua última experiência como treinador profissional?

Prof. PAULO MURILO: Primeiro o baixo nível administrativo da maioria das franquias nacionais, ocasionando desequilíbrios contábeis, prejudicando treinamentos e preparação para as competições. O técnico de alto rendimento é sensível a tais óbices. Segundo, o pouco embasamento da maioria dos jogadores nos fundamentos do jogo.

ES: Como fazer o basquete brasileiro chegar aos mesmos níveis de desenvolvimento tanto no campo social quanto no alto rendimento do basquete americano?

Prof. PAULO MURILO: Massificando-o, e o único veiculo para tal proposta é a escola.

ES: Caminhos do basquete no Brasil para se reinventar ou sair da atual situação?

Prof. PAULO MURILO: O mesmo da resposta anterior, levá-lo, assim como as demais modalidades para o âmago da escola, onde complementarão o ensino integral dos jovens, os futuros cidadãos e atletas do país, um direito previsto na constituição federal.

ES: Professor quais são os seus projetos em andamento atualmente, e que pretensões o senhor tem para essa segunda metade de 2010?

Prof. PAULO MURILO: Publicar o meu cobrado livro, e dar continuidade ao trabalho iniciado no Saldanha da Gama.

ES: Para finalizar, gostaria que o senhor deixasse uma mensagem para os leitores praticantes do basquete social.

Prof. PAULO MURILO: Amem o grande jogo, fazendo dele uma avant première de suas vidas, pois lá encontrarão o trabalho árduo, a aceitação e entendimento das derrotas e vitórias, a abnegação e o sacrifício, a luta ardorosa e leal, a amizade e a recompensa eterna de tê-lo praticado com determinação e esperança num futuro melhor e mais justo.

Por Giselle Mourão
Do Contas Abertas

O Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM) e delegações esportivas internacionais visitaram, no último dia 11, no Rio de Janeiro, os locais de competição que irão abrigar provas e treinamentos do 5º Jogos Mundiais Militares. A cidade foi eleita em votação realizada em 2007 durante a 62ª Assembléia Geral do Conselho Internacional do Desporto Militar, em Ouagadougou, na África. A competição terá a participação de mais de cinco mil atletas de 110 países e será realizado no período de 16 a 24 de julho de 2011. Os valores autorizados nos orçamentos de 2009 e 2010 somam R$ 748 milhões. No entanto, até agora, o governo federal desembolsou apenas R$ 147 milhões (20% do total).

No ano passado, foram gastos R$ 82 milhões nos projetos ligados aos Jogos Mundiais Militares. A quantia representou apenas 33% da dotação prevista (R$ 250 milhões). Nos cinco primeiros meses do ano, somente R$ 65 milhões dos R$ 498 milhões autorizados para 2010 foram gastos, incluindo os “restos a pagar” (dívidas passadas roladas pelo governo para anos seguintes). Se a média de gastos continuar desta forma (R$ 14 milhões por mês), o governo federal vai desembolsar 35% do montante global estimado no orçamento, execução pouco maior que no ano passado.

O Ministério da Defesa é o único órgão responsável por aplicar recursos em projetos e obras relacionados aos jogos, como construção da vila olímpica, preparação dos atletas, instalações esportivas, tecnologia e segurança. A obra da vila possui a maior dotação prevista entre todas as ações, com R$ 432 milhões autorizados desde 2009. São 1.200 apartamentos, cada um com três quartos para seis pessoas. Porém, a pasta aplicou neste ano R$ 50 milhões, até maio, ou seja, 17% do montante autorizado em orçamento.

A ação de “implantação de infraestrutura, tecnologia e de comunicações para o 5º Jogos Mundiais Militares”, responsável por preparar tecnologias da informação e adquirir sistemas para controle e apurar resultados, também está com execução diminuta. Dos R$ 194 milhões previstos desde 2009, apenas R$ 37 milhões foram desembolsados até agora, valor que equivale somente a 19% do autorizado.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Defesa, os valores estão compatíveis com o desempenho das obras. “Os créditos disponíveis atendem às vilas de atletas e instalações esportivas, tais recursos são liberados progressivamente, conforme andamento físico das obras”, afirma. Quando o assunto é segurança, área menos contemplada do evento (9% de execução orçamentária), a assessoria explica que os recursos serão destinados à aquisição de sistemas de segurança, materiais e equipamentos. “Nós custeamos os eventos testes e dos jogos”, informa.

“Os repasses ocorrem à medida que avançam os cronogramas das obras, e eles estão fluindo de acordo com o previsto”, garante a assessoria. Para eles, o Ministério da Defesa e as três Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) cumprirão os cronogramas previstos e a entrega das obras acontecerá no prazo certo. “Todas as grandes obras deverão ficar prontas até maio de 2011”, conclui.

Execução orçamentária é pífia, diz comentarista

O jornalista e comentarista de esporte José Cruz, que já cobriu eventos internacionais em mais de 30 anos de profissão, reconhece a importância do evento para o calendário esportivo do país. “Trata-se de uma competição fortíssima, pois muitos países, principalmente da Europa, têm nas forças armadas um dos núcleos de seleção de seus atletas olímpicos”, diz. Ele também afirma que, apesar do Ministério da Defesa ver “compatibilidade” nesse desempenho, o entendimento do raciocínio do órgão é de difícil compreensão. “Devemos ficar atentos, pois se o orçamento não está sendo executado conforme a previsão, é sinal que poderá haver atrasos. E isso significa apressar obras na reta final, fato que pode fazer com que as licitações sejam suprimidas por falta de tempo. Isso aconteceu nos Jogos Pan-Americanos em 2007”, diz.

O comentarista ainda lembrou dificuldades na realização do Pan-2007 relacionados à má execução. “Apesar de termos tido um evento sem problemas graves, a segurança deixou a desejar, com equipamentos caríssimos que não funcionaram, e até permitindo que pessoas estranhas entrassem em áreas reservadas, como comprovou um repórter, ao furar o cerco da Vila Pan-Americana com extrema facilidade”, afirma. Segundo Cruz, a segurança dos Jogos Mundiais Militares deverá servir como teste para a Copa do Mundo de 2014.

O ritmo lento das aplicações para a realização do evento preocupa o comentarista.“Isso demonstra como o esporte ainda não é assunto importante na pauta do governo. Nossas autoridades fazem um carnaval com a conquista de eventos importantes para o país, mas sob o ponto de vista de dividendos políticos, pois sob o ponto de vista orçamentário, na hora de cumprir um cronograma, chega-se a essa execução ridícula e comprometedora”.

Em torno do deputado Silvio Torres, técnicos da Receita Federal explicam projeto para a Copa de 2014

Por Eliano Jorge

Já começou e se multiplica por 12 a reedição da farra com o dinheiro público que sustentou os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. Quem assim entende é o presidente da Subcomissão de Fiscalização da Copa do Mundo de 2014 da Câmara, deputado Silvio Torres, do PSDB paulista.

Em entrevista a Terra Magazine, ele reclamou de falhas e questões nebulosas da organização brasileira do 20º Mundial de futebol. “Qual é o medo de todo mundo? Que a pressa nos leve a atropelar os procedimentos legais, facilitar o superfaturamento, custos excessivos e isso vai encarecer bastante os projetos”, contou.

Agora, porém, há uma dúzia de cidades e um preço incalculavelmente maior do que no exemplo carioca de 2007. “No Pan, aconteceu exatamente desse jeito. Ficou todo mundo alertado e agora está acontecendo de novo”, avisou Torres, que citou “um mar de incertezas” e a impossibilidade de fazer projeções sobre o andamento da preparação.

- Eu digo com certeza que não vamos fazer aquilo que a gente prometeu. Não vamos cumprir os compromissos nem aquilo que se criou de expectativa para o próprio povo brasileiro. Vai ser uma parte daquilo – assinalou, em relação aos projetos originais.

Silvio Torres atestou que o presidente do Comitê Organizador Local e da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, não possui respostas para a escassez de investidores, ao contrário do que ele alardeava inicialmente. “Ele vendeu junto com o governo o que não vão entregar”.

Sobre a reforma e a construção de estádios, ele afirma que “há modelos diferentes, mas, no fundo, o governo paga, de um jeito ou de outro”.

O parlamentar tucano prevê ainda dificuldades de aprovação de isenções à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e às suas parceiras, que precisam ser aceitas para vigorar a partir de janeiro, conforme garantia do País à dona da Copa do Mundo. “Estamos em ano eleitoral e nossa pauta está muito tumultuada. Será que vai ser aprovada a toque de caixa?”, preocupou-se.

- A Receita Federal foi criteriosa, procurou fazer um bom projeto, mas agora a questão não é só técnica, é política. O Congresso Nacional tem que fazer um balanço do que a Copa está significando em termos de custo, quais são os investimentos reais, precisamos saber isso direito.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Como está a questão da isenção de impostos para a Copa do Mundo de 2014?
Silvio Torres – Dois técnicos da Receita Federal (Augusto Carlos Rodrigues e Fernando Mombelli) foram convidados (pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados) e apresentaram (quinta, 25/5, na Câmara) estimativa de impacto de R$ 900 milhões só de impostos e taxas de renúncia federal. Fora isso, o governo autorizou, em outro projeto paralelo, os municípios a abrirem mão do ISS (Imposto Sobre Serviço) sobre as obras dos estádios e os Estados a desonerarem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Isso não tem um cálculo, eles não quiseram falar. Mas com certeza passa de R$ 1 bilhão, talvez R$ 1,2 bilhão. Vale para todos os estádios. De início, o pedido era dos (estádios) privados (de São Paulo, Inter e Atlético Paranaense). Mas o governo demorou para decidir e mandou atender todo mundo.
As empreiteiras vão acabar sendo desoneradas, aí depende do tipo de negociação que cada governo (estadual) está fazendo com os particulares, os empreiteiros. O governo da Bahia, outro dia, nos mostrou, no relatório, que eles tinham dado o correspondente a mais de R$ 30 milhões em isenções e isso estava sendo descontado do valor da obra. Há uma desoneração grande em todos os outros impostos de que o governo está desonerando a Fifa e os parceiros dela.

Esse número de isenções foi inflado. Está havendo um excesso? Estão aproveitando para incluir o que não deveriam?
Uma semana antes, o ministro (do Esporte) Orlando Silva falou em R$ 500 milhões. Virou R$ 900 milhões, e a explicação que me deram é que o ministro falou só dos (impostos) federais, que agora estão desonerando também os estádios e outras obras, tem mais 300 e poucos milhões. É um número meio confuso, que não tem como clarear. No projeto de lei, é que a gente vai ver.
Eles ficaram quase dois anos discutindo isso na Receita Federal porque havia opiniões conflitantes. Também mandaram o projeto e sabem que agora vão ter alterações porque existem questões que vão ser debatidas. São questões polêmicas, dando tratamento privilegiado de janeiro de 2011 até dezembro de 2015.

Por que até um ano e meio depois da Copa?
Eles explicaram que esse é o tempo para fecharem as contas e terminarem os processos de mandarem os bens de volta. Mas acho que essa isenção abrange a emissora (de TV) geradora também, não sei como é que isso é negociado entre a geradora e as emissoras que compram os direitos (de transmissão). Isso aí tudo é o que está por trás, que não se sabe.
Tem também problema de outra natureza: os estádios que já começaram obras. A Fifa não está obrigando a começar obra logo? Estão dizendo que vão começar a obra, eu não acredito que vão, mas estão dizendo. E aí a lei só vale a partir de 2011, não pode retroagir. E esse dinheiro que foi gasto neste imposto? Não pode recuperar. Como é que faz? Eles não souberam responder.
O ministro (Orlando Silva Júnior), uma semana antes, disse que o impacto da Copa na arrecadação tributária do Brasil ia dar R$ 16 bilhões. Perguntei de onde ele tirou este número. “Ah, não, eu tenho um estudo… Pode deixar que eu mando”. Uma semana depois, dá uma declaração que são R$ 10 bilhões, e não mandou nada até agora para explicar.

Qual é sua avaliação de tudo isso até agora?
O problema da Copa no Brasil é que, como as obras não andam – os aeroportos só começam em 2011, já desistiram de obras permanentes -, os estádios com certeza vão pro quarto prazo. O (novo) prazo já é de acordo com a liberação dos projetos, que foram sendo liberados durante o mês de maio. Mas os prazos são dados para apresentar a viabilidade econômica. Com absoluta certeza, não vão apresentar nos prazos. Então já não dá para saber quando começam as obras (dos estádios) e de que jeito serão viabilizadas. O governo se reuniu em janeiro, definiu com as cidades-sede a matriz de responsabilidade das obras de mobilidade urbana, disponibilizou dinheiro da Caixa Econômica Federal ou Fundo de Garantia, dependendo da obra, e as consultas nem saíram do BNDES ainda – muitas nem entraram.
Esses quatro assuntos, que são os principais da Copa, estão num mar de incertezas. Então, não dá nem para fazer projeção: “Ó, isso é bom, o custo benefício é vantajoso”. A lógica, a gente espera, é que o Brasil tenha ganhos, de imagem, na área turística, de obras de transporte e mobilidade, que possam melhorar a situação do povo. Em nome disso, nós estamos fazendo a Copa. Mas tem mais de dois anos e meio que ganhamos a condição de fazer a Copa. Eu digo com certeza que não vamos fazer aquilo que a gente prometeu. Não vamos cumprir os compromissos nem aquilo que se criou de expectativa para o próprio povo brasileiro. Vai ser uma parte daquilo. Se vai ser uma parte menor, maior, 90%, nós só vamos saber ao longo do tempo.

Alguns projetos não prevêem totalidade de realizações para a Copa, mas é possível esperar que se tudo se complete para depois da competição, pelo menos, e haja um legado?
Já é um outro governo. Não são só os atrasos, a outra incógnita é o tempo eleitoral, o período eleitoral que estamos atravessando. Qual o impacto disso? Governos que não querem assumir dúvidas porque estão no final, dificuldade de aprovação nas Casas Legislativas, agentes privados que não querem entrar de parceiro porque não sabem se o governo é este ou é outro, isso influi muito no ritmo das decisões.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) primeiro alardeou que havia muitos investidores da iniciativa privada interessados…
Sim, ela saiu alardeando isso há três anos. E (recentemente) eu perguntei isso ao (presidente da CBF) Ricardo Teixeira, e ele não respondeu. “O senhor disse que ia ter 12 estádios com dinheiro privado, parceiros público-privadas com obras de transporte e tal, isso não aconteceu. A que o senhor atribui esta mudança?”. Não respondeu. Porque ele não tem resposta. Ele vendeu junto com o governo o que não vão entregar.

O que emperra mais a aprovação desses projetos de isenção tributária?
Primeiro, o volume (das isenções): um bilhão e tanto (de reais). E a falta de conhecimento do Congresso sobre o que tem por trás de cada um (dos projetos). É lógico que tem algumas coisas que são liberadas facilmente: visto de trabalho, importação temporária de equipamentos que vão ser utilizados pra Copa – já existe, inclusive, na legislação brasileira. Mas tem questões que ainda não estão muito claras, se esses direitos vão continuar ou não, porque há isenções sobre bens de consumo, medicamentos, combustível, serviço de transmissão de som e imagem. Vai ter que detalhar o que é isso. O projeto dá detalhes e, quando pode, ele nomina, mas a maioria não é nominada. A Receita Federal foi criteriosa, procurou fazer um bom projeto, mas agora a questão não é só técnica, é política. O Congresso Nacional tem que fazer um balanço do que a Copa está significando em termos de custo, quais são os investimentos reais, precisamos saber isso direito.

Existe algum risco para a economia brasileira?
Não creio que seja impactante, vem muito equipamento de vídeo, de áudio, carros… A Fifa vai trazer carros, mas num número para atender as necessidades dela. Não deveria trazer, o Brasil tem carro suficiente. Vamos dar isenção de importação do carro da Fifa a troco de quê? Será que vão mandar carros blindados pra cá? A gente não sabe o que é, e não explicam. Estamos em ano eleitoral e nossa pauta está muito tumultuada. Por exemplo, neste primeiro semestre é muito difícil (aprovar o projeto) antes do recesso; depois volta em outubro, em novembro, será que vai ser aprovada a toque de caixa? Tem que aprovar. O Ricardo Teixeira disse lá na comissão que, se não aprovar, o Brasil não sedia a Copa. (A lei do projeto) tem que valer a partir de janeiro do ano que vem.

O presidente da Infraero anunciou, semana passada, que serão investidos R$ 4,5 bilhões nos aeroportos, uma das maiores preocupações do senhor.
Eles já mandaram pra gente vários levantamentos. A cada mês, a Infraero manda um diferente do outro. Agora, os investimentos que vieram no último projeto são, boa parte, para instalações provisórias, que ficam cinco anos, seis anos, sei lá quanto. Serão retiradas, “ah, podem ser transferidas para outros aeroportos”. Está se recorrendo a uma alternativa porque os projetos originais eram de obras permanentes em aeroportos.

E por que houve a mudança?
Porque eles não conseguiram viabilizar. Tem aeroporto que sequer conseguiu viabilizar a licitação do projeto executivo. É o caso aqui de Guarulhos.

Por que não conseguiu?
Na minha opinião, é por falta de gestão. Ficaram patinando na história, se vai ser concessão, se não vai ser, se vai privatizar, não decidiram nada e aí a economia se recuperou, os aeroportos começaram a ter movimento maior outra vez. E o governo, indeciso. Isso que está vindo agora atende à pressão da Fifa, inclusive, e de todo mundo que está acompanhando o desenvolvimento da organização (da Copa). Qual é o medo de todo mundo? Que a pressa nos leve a atropelar os procedimentos legais, facilitar o superfaturamento, custos excessivos e isso vai encarecer bastante os projetos. (Leia nota de esclarecimento da Infraero)

Não será isso uma estratégia?

Não sei. Nos Jogos Pan-Americanos (de 2007, no Rio de Janeiro), aconteceu exatamente desse jeito. Ficou todo mundo alertado e agora está acontecendo de novo. O governo mandou um projeto que cria a Autoridade Olímpica (para a Olimpíada de 2016, no Rio) e embutiu o artigo 11, flexibilizando a lei de licitações para a construção dos aeroportos para a Copa. Ou seja, já deram o primeiro passo para abrir as portas. Aí você imagina a dificuldade, no Congresso, de isenção para isso, lei de licitação pra aquilo, cria uma confusão para o entendimento, por isso eu falei que acho difícil aprovar.

Os projetos de estádios têm encarecido em relação às previsões inciais, há dificuldades de financiamento, e os governos estaduais estão assumindo custos…
O governo disponibilizou dinheiro do BNDES porque poucos conseguiram parceiros privados. Teve caso que foi parceria público-privada e que o empreiteiro constrói a obra e fica com direito de concessão por tantos anos. Outros, o governo ajuda na obra. Tem modelos diferentes, mas, no fundo, o governo paga, de um jeito ou de outro. O Brasil, em algumas cidades-sede, não tem sustentabilidade para uma arena, o custo é muito caro para manter e não tem futebol para isso, não tem público, nem para outros eventos porque o preço está acima da capacidade de consumo dos brasileiros.

Até a maior cidade do País, São Paulo, enfrenta polêmica sobre a construção de novo estádio, o que seria inviável…
Pois é, uma briga aqui… Uma pressão enorme para fazer um outro estádio, não dá para entender, né? Vão pôr R$ 800 milhões de dinheiro público no Maracanã outra vez, já tinham gasto 400 paus na reforma dele (para o Pan).

« Newer Posts - Older Posts »