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Projeto social ensina remo a crianças carentes no Rio Negro, em Manaus

Às beiras do Rio Negro, 50 crianças se reúnem diariamente. O esporte que as atrai, porém, não é o futebol, o vôlei ou o basquete. É o remo. Berço do vice-campeão mundial Ailson Eráclito da Silva, o projeto “Remo Social” nasceu dos sonhos do manauara Manasseh Barbosa.

Aos 52 anos, ele diz que já ensinou quase 19 mil pessoas a remar. “Pode anotar aí: são 18.900, catalogados, com ficha individual”. Independentemente do número, a essência do trabalho já chama atenção.

Longe dos centros da modalidade no país, ele formou, além de Ailson, outros medalhistas em Campeonatos Brasileiros. Jucélia Barbosa Maciel foi bronze em seu primeiro nacional, no ano passado. Waldonilton de Andrade Reis, já tem duas medalhas.

E todos eles treinam em barcos que eles próprios ajudaram a construir. “Esses barcos que a gente vê nas competições custam pelo menos R$ 6 mil. Eu consigo fazer um por R$ 1.200,00″, conta Manasseh.

Mesmo barato, o barco demora, às vezes, até seis meses para ser montado. “Quando sobre um dinheirinho, eu compro fibra (de vidro). No outro mês, compro um trilho. Quando junto todas as peças, o barco sai”. Até agora, já saíram mais de 20 barcos da “fábrica”.

“O mais interessante disso é que, com o que eles aprendem construindo os barcos, serve para arrumar empregos. Tem um garoto que aprendeu a pintar comigo e hoje trabalha em uma funilaria. Outro, trabalha com ferragem, porque aprendeu a soldar lá também”, orgulha-se.

O dinheiro, porém, é escasso. “Às vezes, aparece um patrocinador. Outras vezes, não. O projeto só existe porque eu coloquei o meu dinheiro nesses anos todos. E olha que minha mulher me pede para parar. Mas não tem jeito”, admite.

Agora, o Remo Social conseguiu uma parceria com a Petrobras. A verba da estatal garante roupas, alimentação e transporte para os garotos. Um acordo para renovação para 2010 já está sendo discutido. Para o ano que vem, cerca de 300 garotos podem ser envolvidos.

“Mas se você me perguntar se eu preciso de mais dinheiro, eu sempre digo que sim. Hoje, nosso projeto é embaixo da árvore. Não temos uma sede, um galpão para deixar os barcos”, diz.

Tirando dinheiro de seu bolso, Manasseh conseguiu trazer uma delegação do Remo Social para São Paulo nesta semana. Além de Ailson, que está sendo bancado pelo Botafogo, seu novo clube, estão treinando na Raia Olímpica da USP Waldonilton, Jucélia e Matheus Barbosa, filho do professor. Todos eles estão competindo com barcos emprestados.

Fotos do Projeto Remo Social

Projeto Remo Social

Responsável: Prof. Manasseh Barbosa

e-mail: manasseh-remo@hotmail.com

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