Por Giselle Mourão
Do Contas Abertas
O Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM) e delegações esportivas internacionais visitaram, no último dia 11, no Rio de Janeiro, os locais de competição que irão abrigar provas e treinamentos do 5º Jogos Mundiais Militares. A cidade foi eleita em votação realizada em 2007 durante a 62ª Assembléia Geral do Conselho Internacional do Desporto Militar, em Ouagadougou, na África. A competição terá a participação de mais de cinco mil atletas de 110 países e será realizado no período de 16 a 24 de julho de 2011. Os valores autorizados nos orçamentos de 2009 e 2010 somam R$ 748 milhões. No entanto, até agora, o governo federal desembolsou apenas R$ 147 milhões (20% do total).
No ano passado, foram gastos R$ 82 milhões nos projetos ligados aos Jogos Mundiais Militares. A quantia representou apenas 33% da dotação prevista (R$ 250 milhões). Nos cinco primeiros meses do ano, somente R$ 65 milhões dos R$ 498 milhões autorizados para 2010 foram gastos, incluindo os “restos a pagar” (dívidas passadas roladas pelo governo para anos seguintes). Se a média de gastos continuar desta forma (R$ 14 milhões por mês), o governo federal vai desembolsar 35% do montante global estimado no orçamento, execução pouco maior que no ano passado.
O Ministério da Defesa é o único órgão responsável por aplicar recursos em projetos e obras relacionados aos jogos, como construção da vila olímpica, preparação dos atletas, instalações esportivas, tecnologia e segurança. A obra da vila possui a maior dotação prevista entre todas as ações, com R$ 432 milhões autorizados desde 2009. São 1.200 apartamentos, cada um com três quartos para seis pessoas. Porém, a pasta aplicou neste ano R$ 50 milhões, até maio, ou seja, 17% do montante autorizado em orçamento.
A ação de “implantação de infraestrutura, tecnologia e de comunicações para o 5º Jogos Mundiais Militares”, responsável por preparar tecnologias da informação e adquirir sistemas para controle e apurar resultados, também está com execução diminuta. Dos R$ 194 milhões previstos desde 2009, apenas R$ 37 milhões foram desembolsados até agora, valor que equivale somente a 19% do autorizado.
Segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Defesa, os valores estão compatíveis com o desempenho das obras. “Os créditos disponíveis atendem às vilas de atletas e instalações esportivas, tais recursos são liberados progressivamente, conforme andamento físico das obras”, afirma. Quando o assunto é segurança, área menos contemplada do evento (9% de execução orçamentária), a assessoria explica que os recursos serão destinados à aquisição de sistemas de segurança, materiais e equipamentos. “Nós custeamos os eventos testes e dos jogos”, informa.
“Os repasses ocorrem à medida que avançam os cronogramas das obras, e eles estão fluindo de acordo com o previsto”, garante a assessoria. Para eles, o Ministério da Defesa e as três Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) cumprirão os cronogramas previstos e a entrega das obras acontecerá no prazo certo. “Todas as grandes obras deverão ficar prontas até maio de 2011”, conclui.
Execução orçamentária é pífia, diz comentarista
O jornalista e comentarista de esporte José Cruz, que já cobriu eventos internacionais em mais de 30 anos de profissão, reconhece a importância do evento para o calendário esportivo do país. “Trata-se de uma competição fortíssima, pois muitos países, principalmente da Europa, têm nas forças armadas um dos núcleos de seleção de seus atletas olímpicos”, diz. Ele também afirma que, apesar do Ministério da Defesa ver “compatibilidade” nesse desempenho, o entendimento do raciocínio do órgão é de difícil compreensão. “Devemos ficar atentos, pois se o orçamento não está sendo executado conforme a previsão, é sinal que poderá haver atrasos. E isso significa apressar obras na reta final, fato que pode fazer com que as licitações sejam suprimidas por falta de tempo. Isso aconteceu nos Jogos Pan-Americanos em 2007”, diz.
O comentarista ainda lembrou dificuldades na realização do Pan-2007 relacionados à má execução. “Apesar de termos tido um evento sem problemas graves, a segurança deixou a desejar, com equipamentos caríssimos que não funcionaram, e até permitindo que pessoas estranhas entrassem em áreas reservadas, como comprovou um repórter, ao furar o cerco da Vila Pan-Americana com extrema facilidade”, afirma. Segundo Cruz, a segurança dos Jogos Mundiais Militares deverá servir como teste para a Copa do Mundo de 2014.
O ritmo lento das aplicações para a realização do evento preocupa o comentarista.“Isso demonstra como o esporte ainda não é assunto importante na pauta do governo. Nossas autoridades fazem um carnaval com a conquista de eventos importantes para o país, mas sob o ponto de vista de dividendos políticos, pois sob o ponto de vista orçamentário, na hora de cumprir um cronograma, chega-se a essa execução ridícula e comprometedora”.








