Por Daniel Takata
Convido a todos a acessarem este link (http://www.cbda.org.br/materia.php?mat_id=11262) para apreciar os resultados da primeira etapa do Circuito Mundial de Maratonas Aquáticas de 2010, realizada em Santos. Observem como a CBDA publicou os resultados: uma folha mal e porcamente escaneada, em que o usuário tem que virar a cabeça para conseguir ler!
Também convido vocês a checar resultados de competições no referido site sem se perder! Tentem verificar, por exemplo, os resultados do Finkel do ano passado. Um documento com todos os resultados não existe. O que existem são diversos arquivos com os resultados de cada prova, separadamente, com contagens de pontos parciais, enfim, uma bela zona que após o término da competição deveria ser arrumada, mas obviamente não foi. Isso sem falar na demora da divulgação de alguns resultados, inadmissível com as tecnologias disponíveis nos dias de hoje.
Solicito também que leiam o regulamento do Troféu Maria Lenk. Como tudo no site da CBDA, não é nada trivial encontrar, então segue o endereço: http://www.cbda.org.br/arquivos/2010/04/2010,04,05,5662.doc Isso já foi bastante divulgado nas últimas semanas, mas não custa relembrar. O regulamento diz que a competição, a principal da natação brasileira, deve ser realizada em um complexo aquático que tenha uma piscina de apoio à disposição dos atletas. Como todos sabem, o campeonato deste ano será realizado na piscina da Unisanta, em Santos, seletiva para o Pan-Pacífico, e este item, digamos deveras importante, do regulamento não será atendido. Surpresa? Talvez não, levando em conta a atual administração da nossa natação.
Por falar em Pan-Pacífico, hoje foram divulgados os critérios de convocação da seleção brasileira. Em resumo, serão utilizados resultados do ano passado para formar a seleção, algo sem sentido já que vivíamos a era dos trajes e agora estamos em outra. Um absurdo!
Mas o absurdo maior é o critério ser anunciado a uma semana do início do Maria Lenk! Antes disso, ninguém tinha a mínima idéia de como a CBDA faria para convocar a seleção. Para a preparação dos atletas, que pode ser tão afetada por isso, parece que nossos dirigentes não dão a mínima. Alguns viviam num dilema: caso valessem os tempos do ano passado como índice para o Pan-Pacífico, alguns nadadores poderiam optar por não polir para o Maria Lenk. Caso não valessem, seria bom chegar descansado e em forma em Santos. Como decidir isso? A uma semana do início do Maria Lenk, tudo que era pra ter sido feito já foi. Pelos critérios anunciados hoje, um nadador pode ter a vaga praticamente assegurada para o Pan-Pacífico pelos resultados do ano passado, mas ele não sabia disso e pode ter polido sem necessidade para o Maria Lenk, quando seria mais vantajoso ficar treinando forte visando o Pan-Pacífico em si.
Como anunciar índices na última hora virou rotina no Brasil, parece que todos acham isso normal. Mas não deveria. Isso é RIDÍCULO, um ABSURDO e uma PALHAÇADA! E é só uma das praticadas pela CBDA, além das outras já citadas acima.
Como todos sabem, Coaracy Nunes Filho é o presidente da confederação desde 1988. Uma eternidade! Não há como negar que sob sua gestão importantes avanços foram feitos, mas perpetuar-se no poder é algo que é inadmissível. Seu prazo de validade esgotou-se após Atlanta/1996. Desde então, com o poder na cabeça, é uma decepção atrás da outra. Sinto dizer isso, certamente cometendo uma injustiça com os atletas que tanto se dedicaram nesse período, mas nas principais competições internacionais entre 1998 e 2007 o Brasil foi um grande fiasco! Nenhuma medalha em Mundiais de longa e um bronze solitário em Sydney/2000 (quando Coaracy, irresponsavelmente, previu várias medalhas brasileiras) não é um saldo para se orgulhar.
Nos últimos dois anos, a CBDA teve sorte. E essa sorte tem nome: César Augusto Cielo Filho. Com méritos totalmente próprios (teve até o patrocínio da CBDA cortado quando resolveu treinar nos Estados Unidos), chegou onde nenhum nadador brasileiro chegou. E agora, claro, tem Coaracy sempre do seu lado babando ovo.
Agora imagine um cenário no qual não existisse César Cielo. Teríamos saído de mais uma Olimpíada sem medalha. No Mundial de Roma, teríamos uma prata solitária de Felipe França nos 50m peito. Uma grande conquista individual, mas muito pouco para a natação nacional. Os patrocinadores conseguidos pela CBDA no último ano não existiriam. A natação não teria nem um quinto da visilibidade que tem hoje no Brasil (que, convenhamos, é toda construída em cima do efeito Cielo).
A CBDA parou no tempo, exatamente 14 anos atrás, quando Gustavo Borges, Fernando Scherer e outros foram responsáveis pela melhor campanha olímpica brasileira até então. Há muito tempo ela mais prejudica do que ajuda a nossa natação. Gostaria muito que o senhor Coaracy e sua turma pendurasse a cartola e desse lugar a uma nova administração o mais breve possível, para que o sucesso de Cielo seja aproveitado para o bem, e não apenas para promoção e oportunismo.
Enquanto isso não acontece, apenas pedimos: FORA COARACY!







