Com quinteto de 108 anos, dirigentes ficam ao menos dois ciclos no Brasil olímpico

May 1

Direto de UOL Online por Bruno Doro e Felipe Muniz

[...]Além das classes anteriormente divulgadas, A média de permanência dos cartolas nas 26 confederações olímpicas do país é de mais de dois ciclos olímpicos. Hoje, a média fica em 8,3 anos. Mas a maioria tem mandato até os Jogos de 2012, quando esse número vai ultrapassar os dez anos.

Professor de ética e política da Unicamp, Roberto Romano explica que toda entidade comandada há muito tempo por um mesmo grupo é negativo. “Todos nós temos limitações de trato com outras pessoas. Eu, que tenho quase 70 anos, tenho dificuldades de trato com algumas pessoas. Em uma confederação, se fica o mesmo grupo por 20 anos, esta confederação está atenuando as possibilidades, está diminuindo estas modalidades e favorecendo setores em detrimento de outros”, explica.

“Vamos pegar o futebol por exemplo. O pessoal que fica muito tempo no cargo não consegue perceber que está impedindo que novas idéias apareçam. No Campeonato Paulista, você vê que tudo é feito pela cabeça dos dirigentes”, completa Romano.

Segundo Paulo César Montaqner, diretor da faculdade de educação física da Unicamp, o sistema político-esportivo brasileiro cria esses cartolas eternos. “Eu pertenço a uma universidade que muda de gestão a cada quatro anos. Fico até maio de 2010. Mesmo que a comunidade queira a permanência, o sistema não permite. No esporte, isso não existe”, diz Montaqner. “Esse não é um modelo produtivo. É limitado, centralizado. Confederações esperam as federações que aguardam os clubes”, completa[...]

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