ESPORTE SOCIAL: Olá Presidente primeiramente gostaria que o Sr. fizesse uma apresentação do seu período de administração da CBAt para aqueles que não acompanham o seu trabalho constantemente.
ROBERTO GESTA DE MELO/PRESIDENTE DA CBAt: Executar um calendário intenso, com muitos eventos, e extenso, atendendo a todas as modalidades atléticas; fazer o Brasil ser representado em todos os eventos internacionais no exterior; realizar grandes competições internacionais no País, para incrementar o intercâmbio; tornar a CBAt uma das grandes entidades dirigentes do esporte olímpico nacional. Estes são alguns dos pontos importantes de nossa administração.
ESPORTE SOCIAL: Qual o seu currículo no esporte, e quais são os trunfos da corrente administração da CBAt?
ROBERTO GESTA DE MELO: Antes de presidir a CBAt, fui vice-presidente da própria entidade e da Confederação Brasileira de Vôlei. Fui presidente das Federações Amazonenses de Atletismo, Vôlei, Tênis de Mesa e Basquete. Comecei minha carreira no esporte universitário, como presidentes das Atléticas das Faculdades de Direito e de Filosofia, da Universidade do Amazonas. Também fui secretário de Esportes do Amazonas, e, antes, superintendente de Esportes do Estado. Atualmente sou, também, presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo e da Associação Iberoamericana de Atletismo, membro do Conselho da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) e presidente da Comissão de Corridas de Rua da entidade. E membro do Conselho da IAF (Fundação Internacional de Atletismo).
ESPORTE SOCIAL: Quais são as maiores dificuldades a respeito do esporte amador no Brasil, e porque é tão difícil encontrar variedades de competições amadoras como 100 m rasos, salto com vara, arremesso de disco, quando em contrapartida todos os finais de semana têm-se corridas de rua?
ROBERTO GESTA DE MELO: Na verdade, a CBAt, as Federações filiadas, clubes e organizadores independentes realizam mais de 200 eventos oficiais de atletismo de campo e pista em cada temporada. Fazemos isto há mais de dez anos. Nestes eventos são disputados regularmente disputas nestas provas citadas. Por outro lado, as corridas de rua são, igualmente, uma expressão autêntica do atletismo e devem ser incentivadas.
ESPORTE SOCIAL: Existe algum plano de massificação, e diversificação do atletismo na esfera amadora? E nos próximos anos quais são os planos ao esporte amador no Brasil?
ROBERTO GESTA DE MELO: A proposta que fizemos ao Ministério do Esporte é a de que a massificação do esporte em geral, e do atletismo em particular, ganhará em número e qualidade com um programa forte de educação física e esporte na grade escolar. De qualquer forma, esta é uma decisão que cabe aos poderes públicos. De sua parte, a CBAt trabalha com os recursos que tem, incentivando os Centros de Revelação de Talentos, e realizando programas de médio prazo, como os constantes do “Projeto 2004-2008” e, agora, do “Projeto 2010-2016”.
ESPORTE SOCIAL: Um fato bastante interessante é que nos EUA que é uma das maiores potências olímpicas do mundo, temos muitos treinadores amadores que coordenam times de bairro e acabam fazendo iniciação esportiva das crianças ainda no seu ciclo escolar. Depois de algumas pesquisas verifiquei que há um preconceito ainda muito grande em relação aos treinadores de projetos sociais que em sua maioria são amadores mas tem uma experiência muito grande. O que o Sr. tem a dizer a respeito disso? O Sr. é contra ou a favor?
ROBERTO GESTA DE MELO: Tem razão, nos Estados Unidos, a base do esporte está na Escola, do Fundamental à Universidade. Como já disse que questão anterior, acho fundamental a educação física e o esporte constarem na grade curricular de nossas escolas.
ESPORTE SOCIAL: A CBAt é uma das poucas confederações que fazem um efetivo combate ao dopping, quais serão as novas medidas para o ano de 2010?
ROBERTO GESTA DE MELO: Em 2009 foram realizados mais de 650 controles, recorde absoluto nos esportes olímpicos do País. Em 2010 faremos um número ainda maior de testes, tanto que em apenas um fim de semana, no mês passado, fizemos 99 testes.
ESPORTE SOCIAL: Qual lição ficou do fenômeno de dopping no alto-rendimentono ano de 2009?
ROBERTO GESTA DE MELO: O mais importantes é entender que o combate ao doping não pode sofrer nenhuma trégua.
ESPORTE SOCIAL: O Sr. aprova as iniciativas populares de esporte como as corridas de rua, e demais competições amadoras; e como a CBAt está olhando para o circuito amador?
ROBERTO GESTA DE MELO: Como já disse anteriormente, as provas de rua são uma das bases do esporte. Tanto que realizamos um circuito que este ano terá 23 provas, o “Ranking CAIXA CBAt de Corredores de Rua”. Por sinal, os melhores do circuito integram o “Programa de Apoio a Corredores”, e recebem apoio financeiro mensal.
ESPORTE SOCIAL: Uma das questões das pessoas que são entusiastas de atletismo, é porque mesmo com a nossa diversificação genética (com centenas de anos de miscigenação) não conseguimos resultados satisfatórios no alto rendimento?
ROBERTO GESTA DE MELO: O Atletismo brasileiro é líder dos Campeonatos Sul-Americanos e há dois anos assumiu a ponta no número total de pódios do Campeonato Iberoamericano, evento que tem países tradicionais, como Cuba, Espanha e Portugal. Temos 14 medalhas olímpicas, 137 em Jogos Pan-Americanos e 66 nos diversos Campeonatos da IAAF. Também temos 385 medalhas no Iberoamericano e 3.820 nos Sul-Americanos das várias modalidades. Não é pouco.
ESPORTE SOCIAL: O que o Sr. acha que tem que mudar no modelo de iniciação esportiva para as nossas crianças aqui no Brasil, não pensando em alto-rendimento, mas sim pensando em transformar o Brasil em um país com consciência e disciplina esportiva para celebração da saúde, e da sociabilização?
ROBERTO GESTA DE MELO: Também nesta questão acho que a resposta é simples: é preciso uma decisão do governo e passa por uma educação física forte e pela implantação da prática esportiva na escola.
ESPORTE SOCIAL: Quais são as propostas para o esporte universitário para o ano de 2010?
ROBERTO GESTA DE MELO: Por dispositivo legal, em nosso País o esporte universitário está sob a administração da CBDU (Confederação Brasileira de Desporto Universitário).
ESPORTE SOCIAL: Desde já agradeço o bate-papo, e gostaria que o Sr. fizesse as suas considerações finais. E mais uma vez muito obrigado.
ROBERTO GESTA DE MELO: Nos últimos anos, o esporte olímpico brasileiro tem recebido importante apoio, seja do Ministério do Esporte, do COB e de patrocinadores públicos e privados, como a Caixa Econômica Federal, que é a patrocinadora oficial do atletismo brasileiro. Graças a estes organismos públicos e às empresas, muito pode ser feito. Há inegáveis conquistas, como a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que o Brasil fará no Rio de Janeiro. Agora, temos que pensar no futuro, para obter bons resultados em 2016, e para consolidar o esporte como uma atividade humana fundamental em nosso País.







