Extraído do blog do Alberto Murray.
Não fosse o Estado, diretamente, ou por suas empresas, o esporte de alto rendimento teria continuado à mingua. Tenho lá minhas restrições e preocupações quando vejo empresas estatais dando dinheiro ao esporte de alto rendimento. Melhor que assim não fosse. Estatais são para atender ao povo e, se houver lucro, reinvestir na própria empresa. É dinheiro do povo. Muitas delas são monopólios e não precisam de tanta publicidade. Poderiam ter projetos sociais esportivos mais sólidos.
Quando meu avô presidiu o COB, a entidade não tinha apoio de ninguém. Em anos de Olimpíada e Jogos Pan Americanos o COB tinha como ajuda a verba decorrente de um único teste da loteria esportiva. O resto era no peito e na raça. Muita gente reclamava que o COB não tinha patrocínios. Pois bem, vou contar uma coisa. Durante aqueles anos duros, não faltaram empresas estatais querendo patrocinar o COB. Ocorre que, em todas às vezes, os representantes daquelas sociedades controladas pelo governo pediam o que eles chamavam de “verba de representação”. Ou seja, para patrocinar o COB, os dirigentes das estatais pediam, invariavelmente, um “repique”, que lhes deveria ser pago por fora. Conta o André Richer que meu avô os fuzilava com o olhar. Não dizia uma só palavra e punha aquela gente para correr. Não havia espaço para corrupção. Era preferível não ter patrocínio a ter que pagar dinheiro aqueles safardanas. Igualmente, o COB ficava de olho para que as Confederações também não entrassem nesse jogo sujo. Não se podia permitir que o esporte olímpico brasileiro se tornasse um antro de corrupção e de lavagem de dinheiro.
Hoje em dia não sei como é. Tomara que a mentalidade das nossas pessoas que dirigem as estatais não peçam dinheiro por fora e que tenham mudado a sua mentalidade.
Para comprovar que hoje em dia não há nada, o que eu sugiro que seja feito é uma auditoria independente em todas as empresas estatais que patrocinam o esporte de alto rendimento. Quando Roberto Muylaert assumiu a Secretaria de Comunicação Social do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, ele iniciou esse processo.
Depois acho que não foi completado. Seria louvável que auditorias sérias e independentes verificassem as contas do Banco do Brasil, Infraero, Caixa Econômica Federal, Eletrobrás Correios e todas as demais empresas do Estado que patrocinam o esporte de alto rendimento. Apenas para tirar a pulga atrás da orelha de quem ainda pode ter certas desconfianças.
O esporte olímpico brasileiro somente terá a ganhar.