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Uma das melhores coisas da vida é conversar com pessoas que admiramos e que temos como referencial de princípios sejam eles de qualquer natureza, e aqui no Esporte Social a seção bate-papo faz presença mais uma figura lendária, quase que mitológica no panteão dos heróis da musculação e culturismo no Brasil que é o Zé Gatão. Bem humorado, sincero, incisivo e acima de tudo um amante incondicional da musculação e do culturismo, não como esporte, mas como estilo de vida dá algumas palavras aqui no Esporte Social.

Zé Gatão no Campeonato Brasileiro da IFBB

Zé Gatão no Campeonato Brasileiro da IFBB

Esporte Social: Primeiramente para quem não conhece que é o Zé Gatão?

Zé Gatão: Esse é um apelido que carrego já muitos anos, se você perguntar alguém pelo meu nome, ninguém vai saber quem é mesmo a pessoa sendo um amigo próximo… (risos)

Esporte Social: Como surgiu esse apelido?

Zé Gatão: Nossa agora você foi lá no fundo do baú com essa pergunta (risos)… Eu tinha mania de entrar nos supermercados depois da praia, morrendo de fome, sai pegando tudo e comendo eu tinha uns 16 anos, antigamente lá no Rio de Janeiro, me chamavam de gato os moleques que pegavam as paradas (risos)… Deixa isso pra lá… Aí começaram me chamar de gato, ai fui crescendo e passou para gatão, depois de anos vim morar aqui em Brasília,  aqui começaram me chamar de Zé, a galera da academia onde eu treinava sempre viajava para o Rio de Janeiro, e lá encontrava sempre alguém que me conhecia, quando essa galera voltou do Rio, eles falavam para todo mundo que meu apelido no Rio era gatão, como já me chamava aqui de Zé, ai juntaram para ZÉ GATÃO, ai lascou tudo (risos)…

Esporte Social: Como começou essa relação de amor com os pesos? Em que ano você começou no fisiculturismo e musculação em geral?

Zé Gatão: Quando eu tinha uns 16 aos 20 anos eu queria só saber de ir a praia para surfar ia todos os santos dias surfar, era meu vício e tinha uns amigos meus que pegavam onda comigo que andei observando que eles estavam ficando grandes, claro grande para mim, eu era a tripa, mesmo sendo a tripa eu que comandava, era muito marrento… (risos) Lei da sobrevivência (risos)… Ai teve um dia que cheguei para um dos meus amigos que tava ficando fortinho, e perguntei: “- Cara que você tá fazendo que seu braço tá ficando grossão, peito, costa? Ai ele me falou que tava levantando peso em casa ai me chamou, eu fui lá no outro dia, tinha banco supino, Scott, halteres, muito massa, fiquei só olhando, ai vi uma revista que tava lá era a Muscle Fitness, quem tava na capa? O Arnold quando eu vi aquilo fiquei de cara, e falei porra quero ser assim ai todo mundo começou a rir de mim, ai o pessoal ficou me zoando porra tu é mo magrelo, ai fiquei na minha e já paguei sapo pra todo mundo, já viu né magrinho mais era marrento (risos)… Aí no outro dia já tava eu lá levantando os pesos, ai não parei mais, isso foi em 1977 ,veinho hein (risos)… Me lembro que meu primeiro suplemento foi o Cobavital (risos)…

Esporte Social: Como foram os primeiros treinos, e quais as dificuldades que você mais enfrentou para o desenvolvimento do seu físico?

Zé Gatão: Nossa fiz vários tipos de treinos que você imaginar, moleque sabe como é cada dia é uma serie nova, da ouvidos para todo mundo acaba virando um cobaia, bom que você vai vendo o que presta e o que não presta, por isso que hoje em dia sou crítico a certos treinamento fashions que tem por ai… Minha dificuldade foi bater de frente com a minha magreza (risos) eu comia igual a um bicho e não ganhava peso nem com reza, malhava e malhava e nada…

Esporte Social: Você se espelhou em algum fisiculturista como um norte para montagem dos seus treinos, dieta, ou qualquer coisa relacionada ao estilo de vida que você escolheu?

Zé Gatão: Nossa me espelhava em todo mundo eu ficava olhando os quadros do Arnold, Frank Zane, Bertil Fox, e ficava sonhando um dia fico assim, tinha um instrutor que era um  monstro para mim, na academia  eu ficava falando pra ele, vou ficar maior que você te garanto, não é que eu fiquei (risos)…

Esporte Social: Da sala de musculação como surgiu o estalo para as competições de bodybuilding?

Zé Gatão: Teve um dia que vi um cartaz na academia onde eu treinava lá na tijuca, Campeonato Carioca de Musculação, ai todo mundo falava: “- Poxa gatão entra nesse campeonato,  tem categoria juvenil!”, ai meti as caras e fui, fiquei em 3º lugar, achei o máximo, a academia em peso lá gritando por mim, eu morria de rir e ao mesmo tempo morria de vergonha, ai peguei o gosto de competição e não parei de competir.

Esporte Social: Na sua opinião uma qualidade nos árbitros e atletas nas competições de musculação Brasil afora?

Zé Gatão: Aqui no Brasil se mistura muito esse lance amizade com competição, tem que parar de por juiz amigo de atletas, fica muito, quando você vai  competir em algum estado que você não more lá  pode já ir preparado, se você não tiver disparado como o melhor, você perde. Tem que começar a premiar em dinheiro, a Musculação no Brasil perdeu muitos atletas de alto nível, por falta de retorno financeiro, é um gasto muito grande para nada, só orgulho de falar que já foi campeão.

Esporte Social: Da pra viver de fisiculturismo e musculação no Brasil?

Zé Gatão: (risos) Essa é boa, nem do futebol sobrevivem os melhores, se eles não forem  jogar lá fora, tá lascado, ainda mais Fisiculturismo… Ai meu amigo tá ferrado, como eu digo esse esporte é para loucos, tem que amar, tá no sangue, mesmo passando fome, o cara tá feliz por estar competindo, mais o tempo passa, como irá sobreviver depois de veinho?

Esporte Social: Qual é a parte mais difícil quando dentro de um ambiente de competição como esses? Em filmes clássicos do bodybuilding como o Pimp Iron do Arnold da à impressão que competições desse nível e quase como um jogo psicológico envolvido. Ate que ponto a cabeça influi dentro da competição?

Zé Gatão: Não muda muito não, isso foi um filme, mais na real o mais difícil é chegar lá, subir no palco bem, mesmo passando por todas as dificuldades da vida esse que é o pior de todos, sem apoio até mesmo apoio da própria família, já vi atletas indo competir sem nada para comer, sem dinheiro para nada, eu mesmo já tirei dinheiro do meu próprio bolso para dar pro atleta comer alguma coisa, o cara sai lá do fim do mundo para ir competir no Brasileiro em São Paulo… Já vi cada coisa que você chora.

Esporte Social: Pela sua experiência quais as melhores competições de fisiculturismo aqui no Brasil?

Zé Gatão: A melhor competição é aquela que dá retorno financeiro para o atleta.

Esporte Social: Você tem algum tipo de acompanhamento médico e nutricional específico no que diz respeito a um staff te dando um determinado apoio nessas áreas?

Zé Gatão: Hoje em dia tenho um grande amigo meu Médico aqui da Presidência que às vezes faço uns exames, mais tenho um ditado: “-Quer ficar treinando pro resto da sua vida? Fique longe de médicos…” (risos)… Nutricionista? Bem eu nunca precisei de Nutricionista,  quando eu comecei a treinar nem existia esse curso, então em time que tá ganhando não se mexe.

Esporte Social: Fisiculturismo e saúde combinam pra você?

Zé Gatão: Tai a prova disso, é só ligar lá pro meu plano de saúde e perguntar quantas vezes precisei do meu plano… (risos)

Esporte Social: Como e composta a sua dieta em off e pré-contest?

Zé Gatão: Minha alimentação e relação Off e Contest não muda muito não,  não consigo comer porcarias em Off, não me importo em ganhar tanto peso em Off, prefiro manter um Off marcado, isso é de cada um, sacou? Tem cara  que fica uma porca e na competição ta lá rasgado, eu particularmente eu saio muito da dieta saudável, também na minha idade não posso ficar me arriscando tanto (risos)…

Esporte Social: Quais foram as suas piores lesões ao longo desse tempo todo com trabalho com pesos?

Zé Gatão: Sabe aquela fase horrível da sua vida que você quer ser o fodão na academia, meter peso para se achar o escroto, então um dia estava fazendo supino reto, tava uns 200 kg, ai sempre peguei na barra mais fechado sacou, ai o idiota do amigo meu que tava me ajudando falou, pra eu abrir mais um pouco, aí eu idiota fui na conversa do retardado,  nessa me lasquei arrebentei o peito, é por isso que hoje em dia fico no pé dos meus alunos controlando eles, estão na mesma fase que eu passei , ai já fico ligado para não acontecer com eles, falo pra eles treina para os seus músculos e não para os outros. Experiência conta muito.

Esporte Social: Quais são as pessoas no mundo do bodybuilding e musculação que você gosta de ler os textos, tem alguém especial que escreve algo que te prenda a atenção nesse mundo esportivo?

Zé Gatão: Gosto de ler livros mais de pessoas que já foram atletas ou são atletas de competição,  como os livros do meu amigo Waldemar Guimarães.

Esporte Social: O seu site e considerado por muitos (inclusive por este que vos escreve) quase como uma célula de resistência quando falamos de informações sem hipocrisia e sem pré julgamentos bem comuns a mídia. A partir de que ponto você pensou que deveria ter um site e qual o publico que le os seus textos e artigos?

Zé Gatão: Nossa isso foi uma longa historia, mas vou abreviar… Sempre que eu estava em alguma festa, shows, sempre vinha alguém me perguntar sobre alguma coisa referente a treinos, suplementação, tudo que envolve a musculação, e isso era sempre, chegava não agüentar mais, aí um dia estava conversando com um estagiário da informática, e comentei que era um saco sair na nights, sempre tem alguém me fazendo perguntas de treinos etc… Ai ele virou e falou: “- Pô Zé por que não faz um site de musculação ?!” Ai virei e falei: “- Pô mais como que faço isso?!” Ele pegou e abriu uma página, e começou a bolar o site, na hora topei, isso já foi a uns 10 anos atrás…

Esporte Social: Esse e um assunto que muitas pessoas têm curiosidade. De onde vem esse sentimento de revolta com as academias sociais?

Zé Gatão: Nossa… (risos)… Raiva total… Senti que ao surgir essas academias feitas por empresários de outras atividades, que seria o fim das academias em que os donos eram ex-atletas, que amavam a musculação levada como um estilo de vida, o dono era amigo dos alunos, convivia com os alunos nos treinos, hoje em dia o cara treina já há anos e nunca viu o dono da academia. Esses novos empresários conseguiram estripar acabar com o ambiente que tinha uma verdadeira academia de musculação, e isso me revolta, estão ganhando dinheiro em cima de uma atividade em que eles odeiam. Esse é o meu ponto de vista,

Esporte Social: Como você enxerga esses métodos revolucionários de pratica esportiva dentro das academias como bodyjump, bodysystems, lambaeróbica, boxe jump e afins?

Zé Gatão: Nossa isso é triste, como enganam as pessoas, parece mais uma feira… Claro que é melhor eles estarem ali pulando igual um retardados do que ficarem em casa comendo e vendo TV, ou num boteco se acabando na cachaça..  Mais é cruel inventam tanta coisa que seria caso de policia.

Esporte Social: O que você acha dessa indústria do emagrecimento fácil como esses anúncios de maquina de choquinho, gel que reduz flacidez, ab toner, maquinas elipses, e cintas que reduzem medidas para mulheres?

Zé Gatão: Cara isso ta sinistro, cadê a ANVISA pra ver isso? Nada! Ela tá ocupada vendo quem tá tomando Creatina (risos)….

Esporte Social: E essa pseudo-nutrição como esses shakes da Luciana Gimenez, revistas e mais revistas prometendo emagrecimento com a dieta da lua, dieta Atkins, dieta dos líquidos? O que você tem a dizer a respeito disso?

Zé Gatão: É tudo um lixo, passa mil anos e continua essa enganação pegando os idiotas que gastam rios de dinheiros e acaba tudo gordo de novo… Eles buscam ter resultados, sem sofrimentos, não querem largar de mão de comer às coisas boas da vida, como eles falam… (risos) Novembro e Dezembro são as épocas que as academias matriculam o maior número de alunos por ano, claro, porque ninguém quer aparecer mal no verão.

Esporte Social: Esse público e bem conhecido do pessoal que gosta da musculação hardcore como “malhadores de verão”. Alem dos riscos inerentes a saúde desses indivíduos, qual e o comportamento característico desse espécime dentro da academia e qual o seu tratamento com esse publico?

Zé Gatão: Como não sou dono de academia, eu odeio esse público de retardados que se acabam nove meses e depois querem ficar saradinhos em 3 meses… (risos) Morro de rir… Os donos de academia que adoram esse público, claro dá lucros, e são esse publico que chegam na a academia e ver você treinando serio, eles já olham e falam: “- É tudo bomba!”, sabe como é né? Temos que conviver, é o preço de conviver na sociedade mix.

Esporte Social: A musculação sempre teve associado a sua imagem. Como que a musculação hardcore tomou conta da sua vida? E quais benefícios trouxeram?

Zé Gatão: Vi que esse treino é que separa os homens dos meninos… Os benefícios estão claros, e por isso que estou aqui treinando firme e forte, faça sol e chuva to lá treinando, sabia que eu treino até no dia da arvore? (risos)

Esporte Social: Aqui no Brasil temos um circuito tanto amador quando profissional bastante grande comparado com diversos esportes ate mesmo com mais recursos financeiros, temos muitos atletas, mas ainda pecamos quando o assunto e uma representatividade maior lá fora, como o bodybuilding brasileiro esta encarando esse momento?

Zé Gatão: Que? bastante grande ? Comparado com diversos esportes, recursos financeiros, aonde tu viu isso ? Primeiro esse esporte é muito caro, ainda mais quem não tem uma genética e dinheiro… Estamos 80 anos atrasados em relação à competição internacional. Os Brasileiros que vão competir lá fora são verdadeiros guerreiros, vão na raça, porque o apoio é zero neste país do futebol. Temos um grande atleta que tá sendo a nova geração que é o Eduardo Correia está representando muito bem a Musculação Brasileira apesar do apoio que está sendo mais dos empresários lá de fora.

Esporte Social: Vale a pena apostar para viver de fisiculturismo e musculação no Brasil?

Zé Gatão: Não, primeiro para viver disso ele vai ter que passar o dia todo dando aulas em academias, e o treino como que fica? Se ele quer competir e estar entre os melhores, tem que procurar outros recursos para viver disso, aqui no  Brasil é quase impossível isso, nem jogador de futebol vive bem. Ainda mais quando parar de competir.

Esporte Social: Um dado interessante que foi divulgado há um tempo, e que o Brasil e o país com o maior número de academias per capita do mundo, mesmo assim temos 40% da população acima do peso, o que você atribui isso?

Zé Gatão: Esses dados acho que é tudo errado, sempre falam que o Brasil é o segundo lugar em tudo, já reparou isso? Aqui deve ser o maior em numero de botecos e farmácias, é que eu mais falo. Esse país é um país doente, é onde existe mais farmácias e botecos… Quem tem acesso à academia é a minoria, se tá gordo é por que o povo não se cuida vivem comendo porcarias lixos industriais, McDonalds…

Esporte Social: Como um dono de academia pode lidar com um publico tão sazonal e periodizado como o da musculação de do fitness?

Zé Gatão: Primeiro hoje em dia os donos novos odeiam a galera que treina sério, esse público eles não gostam, eles querem é esse tipo de público fashion que entra e sai toda hora, se chove não vai treinar, se é feriado nem ta nem aí se vai abrir a academia ou não, os donos gostam é deles,

Esporte Social: Porque mais e mais academias apostam mais em equipamentos ultra-técnologicos e esquece-se de investir em acompanhamento individualizado e treinamento dos profissionais?

Zé Gatão: (risos) Como te falei, são os donos que nem sabem o que é musculação, eram donos de padarias e do nada entraram para o ramo de academias, então eles acham que aparelhos bonitinhos trazem resultados e comodidades aos alunos, ele nem querem saber se trás resultados, e claro que não trazem. Aparelhos são para senhoras.

Esporte Social: Um assunto bem oportuno ao falarmos de academias são os professores de educação física que loteiam as salas de musculação. Você acha que a pessoa que acaba de sair da faculdade tem bagagem necessária para educar fisicamente um atleta, mesmo com a sua carga intelectual recém formada e fresca na mente?

Zé Gatão: (risos) Nossa você não pode fazer essa pergunta não… Vou falar que eu acho, vai ser censurado… Mais vou falar um pouquinho… Tá uma verdadeira palhaçada… Tinha que ter uma prova antes, tipo as provas que se tem na OAB que faz com os recém-formados para verificar se estão aptos a profissão que irá exercer, e isso tem que ter urgente na Educação Física para poder dar aula de musculação, se eles não tem bagagem para lidar com uma pessoa comum, quanto mais com um atleta da musculação, é totalmente  impossível, esse mundo da musculação se aprende ali no meio, você tem que estar ralando, quebrando a cabeça, trocando informações com campeões do fisiculturismo verdadeiros atletas, livros são muito superficiais à realidade, na pratica é tudo diferente da ficção… É totalmente impossível um frango de 60 kg que nunca treinou na vida que não sabe nem o que é o (levantamento)Terra, querer dar aula para um atleta da musculação… Isso seria uma piada.

Zé Gatão e a sua atleta campeã Fitness Janaína

Zé Gatão e a sua atleta campeã Fitness Janaína

Esporte Social: Educador físico gordo dá?

Zé Gatão: Se à alguns anos atrás esse gordo foi um campeão do Mr. Olympia ai sim até poderia… (risos)

Esporte Social: Como você vê essa crescente onda de que todo mundo que sai da faculdade quer ser “personal trainer”?  O que esses “personais” tem de diferente do treinador mais rústico, que ensina a realizar os movimentos com correção e postura corretas e que esta com o foco totalmente na modelagem do seu corpo, avaliando e monitorando as suas medidas e te mostrando resultados?

Zé Gatão: Primeiro: Personal é pra gente fresca que se sente sozinha na academia, ai contrata um personal-psicólogo, babá, amiguinho de fofoca… (risos) Eu sou treinador e levo resultado ao aluno no que ele busca, não fico de enganação com treinos bizarros e ridículos. Eu xingo, reclamo se ele faltou ao treino, personal da é graças a Deus se o aluno faltar, pois dá tempo para ele  ir ao um boteco tomar uma cerva…

Esporte Social: O que você acha que falta a maioria dos educadores físicos aqui no Brasil para trabalhar com um publico tão exigente e seleto como o da musculação e bodybuilding?

Zé Gatão: Nossa Senhora, isso vai levar séculos, sei que vai melhorar por que tenho vários alunos que estão cursando Educação Física, e esses serão os melhores profissionais para treinar nosso público que busca resultados e não bem estar… (risos) BEM ESTAR já ouvi muito isso de profissionais da   Educação Física, não passa de enganação,  eu vejo Bem Estar é ter uma conta bancaria boa, você poder viajar num transatlântico da volta ao mundo, e não ter nenhuma dívida, dormir tranqüilo sem ter ninguém te cobrando, isso é Bem Estar… Fora do Stress.

Esporte Social: Na sua opinião, o CREF ajuda, poderia ajudar mais, ou nem mais nem menos?

Zé Gatão: CREF é só para fiscalizar se tem não formados dando aulas , e se tá pagando a taxa, (risos) só isso. Deveria ver o que ta rolando hoje em dia nas academias informatizadas a discriminação à profissionais que tem um corpo forte, esse é barrado, não é o perfil. Ora vamos à realidade, qual professor que você escolheria; um franguinho de 60 kg  ou um professor de 100 kg de músculos?

Esporte Social: O doping existe a mais de 5000 anos na civilização como conhecemos hoje, porque a mídia escolheu a musculação para simbolizar o Maximo dessa nefasta atividade?

Zé Gatão: Veja bem a nossa federação se fosse mais forte e atuante como as outras federações de outros esportes isso não aconteceria, a federação deixa a mídia meter o pau na Musculação Competitiva, deveria entrar com processo contra algum jornal ou TV, aí sim eles parariam com essa palhaçada. Vamos a verdade, tem 3 esportes que usam muito, mas muito mais esteróides do que a  Musculação Competitiva, mais porque não aparecem esses esportes na mídia, sabe porque ? É federação deles é forte, bate de frente com a mídia, a nossa ela se recua, se curva a mídia… Temos vários atletas que sempre competem lá fora e fazem exames de doping e dá limpo, a federação poderia por na mídia dizendo sobre isso, levar o atleta para programas de TV para o povo ver, mais não por isso que a mídia fala o que quer, ainda mais nesse país em que músculos incomodam as pessoas, carregamos o esporte que praticamos no corpo, é diferente de um maratonista que parece mais um doente.

Esporte Social: O que você pensa dos recentes casos de doping no esporte brasileiro?

Zé Gatão: O que o atleta busca são resultados, ser atleta olímpico é viver numa ditadura, eu tenho pena deles, tem casos sérios de atletas fazendo tratamento para sair dos vícios de uso de cocaína e outras drogas, por causa dessa pressão constante em cima deles, casos de atletas de fora de outros países, eu tenho é pena. Exemplo é o caso da Rebeca Gusmão, vi ela treinando dia e noite, deixando de viver a adolescência dela para se dedicar ao esporte  e depois olha  que fazem  com ela, vi ela como Jesus, sendo crucificada pelas raposas velhas e pela mídia, a dedicação dela aos treinos isso foi em vão, é foda, eles são bando de filhos das putas.

Esporte Social: Grande parte das pessoas que visitam o seu site encontra uma vasta gama de informações a respeito de ergogênicos e esteróides anabolizantes. Informar e melhor que proibir?

Zé Gatão: Já vi paginas na internet explicando o uso de maconha, cocaína e outras drogas da moda, porque não poderia por falando sobre esteróides, uso e como evitar o uso e como evitar os efeitos colaterais, o melhor é não usar, mais cada cabeça pensa de uma formar então procuro orientar, para não acontecer o pior como vem acontecendo com essa galera das cidades dos interior do Brasil, essa galera é as que mais fazem merdas e acaba queimando o filme dos atletas de competição… Sempre aparecem esses piões do interior no Fantástico e a mãe chorando, isso é falta de informação.

Esporte Social: Como você vê esse apelo midiático na “sociedade da vitoria” onde a cada dia mais a televisão impõe que para se bem sucedido você tem que sempre o melhor, sempre o mais forte e etc.? A televisão influencia no comportamento das pessoas a ponto delas fazerem tudo para ter uma ótima aparência para a sociedade em geral?

Zé Gatão: Para mim, quem segue a televisão são pessoas com baixa cultura, pessoas desinformadas. Eu tenho é pena delas.

Esporte Social: Você e o professor Waldemar (Guimarães) têm uma linha didática bem simples com relação ao uso de drogas. Vocês informam os males e deixa a escolha com o dono da própria vida. Você ainda continua com o mesmo tipo de raciocínio e por quê?

Zé Gatão: Quem sou eu para ditar que você deve fazer ou não? Somos livres às escolhas… Assim como eu odeio cigarro, álcool e tem pessoas que amam cigarros e cachaças, tipo cada um na sua. Agora temos os nossos seguidores que confiam no nosso trabalho esses eu oriento mesmo não deixo fazerem merdas com a saúde, porque saúde para mim está em primeiro lugar, sem ela não treinamos. Sou fã do Waldemar Guimarães trocamos informações e é assim que aprendemos.

Esporte Social: Quem é potencialmente mais perigoso, o cara que mete a seringa em si mesmo com anabolizantes, ou o cara que fuma e expõe as pessoas passivamente a sua fumaça, ou mesmo o cara que bebe e que bate na esposa e nos filhos e sai de carro bêbado e comete tragédias no transito?

Zé Gatão: É o que leva risco de vida a sociedade… O que mete a seringa nele só tá levando o risco pra si próprio, agora o bêbado alem de se lascar acaba matando pessoas que não tem nada haver com a desgraça da vida dele… Fora os que matam os filhos e mata a mãe para comprar drogas. Nunca vi um cara que matou o vizinho ou a mãe só por que tomou uma Durateston e tem que ser revistos  esses conceitos.

Esporte Social: Para finalizar o assunto, como você vê essa moda de utilização de expansores oleosos como o Synthol e afins? O que você pensa sobre isso?

Zé Gatão: Nossa isso para mim é o fim. Como o Waldemar Guimarães me contou: “- Zé como tem cara lá nos EUA que amputaram a perna, braços por causa de uso de Synthol, etc…!” Ainda bem que isso nas competições é banido, já vi atleta sendo retirado do palco, acho é bom se lascarem, teve um que competia na minha categoria o braço dele tava ridículo em relação ao peito, ombro, costa, perna, só vi o Presidente da IFBB, o (Alexandre) Pagnani chamando o atleta no canto e falou: “- Você não pode competir… Você não é atleta… (risos)eu ri de mais…

Esporte Social: A mídia é hipócrita com relação ao tratamento de diferentes tipos de drogas?

Zé Gatão: Você tocou num assunto que eu gosto, cara a mídia defende as drogas deles, é simples: Vai numa faculdade e ver quais cursos que tem mais usuários de drogas, simples e objetivo,  é só você ir numa festa de algum curso que você irá ver eles lá tudo se drogando, e esses serão os belos profissionais que irá te crucificar só por que você tem músculos… Eu já vi muitos da mídia se acabando na cocaína dentro dos banheiros, eu vi. Claro; isso é bonito e é xique, nós que somos os errados porque estamos treinando elevando um estilo de vida que incomoda eles demais… Só resta a dizer: “-Se mata seus vermes!”.

Esporte Social: E para os próximos anos quais vão ser os seus projetos para o site e para as competições?

Zé Gatão: Meu site nunca vai mudar o estilo de ser, sou fiel ao meu publico, já tiveram vários empresários de lojas de suplementos querendo por os suplementos no meu site  e que eu tinha que mudar algumas coisas, como não preciso deles para nada, tenho meu emprego graças a Deus, só restou eu falar:”- Vai pra merda!” Sou fiel ao meu público, Hardcore, Iron Total.

Esporte Social: E para finalizar, diga algo que ache oportuno as pessoas que lêem o Esporte Social?

Zé Gatão: Foi uns dos sites que eu gostei ao abrir vi que tem artigos bons para quem leva o esporte como um estilo de vida, somos uma tribo, temos que ser unidos, mesmo sendo de esportes diferentes, temos que estar juntos porque somos atletas. Sou grato por ter me procurado para essa entrevista, não to aqui para agradar quem eu não quero, defendo meus esportes que pratico que são a Musculação e o Jiu-Jitsu que eu levo como um estilo de vida, valeu Flavio, abração, e se cuida… Zé Gatão Total Iron.

3 Responses to “Bate-Papo Zé Gatão”

  1. Zé Gatão, só tenho que lhe agradecer por tudo que você faz pela musculação e o culturismo ou fisiculturismo, e por orientar as outras pessoas assim como eu… te considero como um pai… Te amo, do teu freakzinho.

  2. Gustavo Cisco says:

    Entrevista Fantástica !!

    Perguntas muito boas e o entrevistado respondeu tudo na LATA !!
    esse tipo de entrevista que eu gosto de ler

    Parabéns !

  3. Danilo Oliveira says:

    Como é que faço para obter informações a respeito do treinamento com o Zé Gatão? alguém sabe em qual academia ele treina seus alunos??
    Valeu!!

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