Em uma entrevista na Rádio CBN que ocorreu no dia 2 de outubro de 2009, onde participou o ex-velejador e medalista olímpico Lars Grael; onde ele defendeu “que o esporte brasileiro deve ser militarizado para alcançar os seus objetivos, onde pode além de proporcionar uma formação sólida e com disciplina, pode também contar um apoio estatal”.
Como já foi falado no Esporte Social há alguns meses, este posicionamento é estranho partindo de determinados cidadãos e de setores da sociedade como Ministério do Esporte entre outros que endossam essa idéia, onde estes distorcem a verdadeira finalidade do Exército Brasileiro (www.exercito.gov.br/) no que rege o constante no artigo 142 da Constituição Federal de 1988, em prol de objetivos políticos e oportunistas.
O tema é polêmico, mas em época de constante contingenciamento de recursos para os militares da ativa, fica a dúvida a que interesses servem esse tipo de posicionamento por parte de atletas, federações, confederações, ministros e demais governantes que através de aplicação de recursos do Exército Brasileiro com a suposta justificativa de falta de patrocínio, e encontram no esporte (e na instituição) uma forma de captar recursos públicos. Prova do que é falado aqui está nas noticias mais recentes sobre esse contingenciamento de recursos nos links abaixo.
Contingenciamento nas Forças Armadas
Exército vai economizar também em água e luz
Aeronáutica investe 7 vezes mais que Exército
Meio-expediente em quartéis do Exército
Sabe-se que no Brasil há um fenômeno da “estatização voluntária” por parte de todos os setores, em especial e mais pertinentes nos setores cultural e esportivo, onde, dentro de seus orçamentos que são alimentados por todos os contribuintes, os responsáveis pelo o esporte de alto rendimento se sentem na necessidade (Leia: Obrigatoriedade) de serem financiados pelo o governo; em alguns casos sem sequer apresentação de resultados e pleito junto à iniciativa privada, em benefício de alguns, contrariando o inciso II do Artigo Nr 217 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, onde diz o texto:
“[...]Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:
II – a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento [...]”
Muitos dos atletas que pedem por esse “assistencialismo obrigatório” por parte do estado (como se este não exercesse a função de governar, mas sim de prestação de serviço filantrópico dirigido e exclusivo a uma classe de cidadãos), esses mesmos atletas sequer apresentam planos de resultados para oferecer os seus serviços (que neste caso seriam os resultados) em prol do patrocinador; e que no caso da iniciativa privada seria a divulgação da marca.
Ao contrário do que foi retrocitado, muitos dos contratos que as empresas (e o governo através da utilização de recursos públicos) fazem com parte de alguns atletas são mediante a circunstancias especiais como:
• Aproveitamento um momento esportivo oportuno (como um bom resultado obtido esporadicamente);
• Dedução como doação no imposto de renda;
• Marketing direcionado como no caso dos da Infraero, Petrobras, Banco do Brasil e Correios que patrocinam esportes estratégicos com bastante visibilidade televisiva como vôlei, judô, futebol, etc.
Veja que nem foi cogitado a possibilidade de investimentos no crescimento do esporte educacional e social nacional.
Acontece que o esporte de alto rendimento em alguns casos de patrocínio estatal, é uma verdadeira caixa de pandora no que diz respeito à visibilidade da marca e a duvidosa relação de rentabilidade quanto ao que é investido e o retorno do que foi aplicado.
O mais estranho é que até mesmo os patrocinadores de clubes de futebol detêm de métricas de mensuração de visibilidade, e isso nunca é discutido como pauta de discussões quando falamos de esporte olímpico; o que dá a entender que preferimos ser muito mais assistencialistas ao invés de sermos avaliadores de resultados.
É uma decisão paliativa, oportunista e presunçosa incorporar nas fileiras do Exército Brasileiro, homens e mulheres, com o propósito de simplesmente dar uma farda e esperar que sejam militares, sendo que o verdadeiro motivo de estarem ali seja somente pelo o fato de lutarem judô, correrem ou praticar outro esporte; sendo que os mesmos não estarão diretamente e constantemente regidos no disposto dos regulamentos militares, bem como não poderão, até pelo o período de seus treinamentos, adequarem-se a rotina militar devido a instruções, atos de serviço, representações, operações de Garantia da Lei e da Ordem, entre outras atividades peculiares à vida na caserna.
A mensagem que fica é que ao dar a farda com esse tipo de intuito além do Exército perder um militar, a sociedade não ganha mais um soldado que contribuiria com as suas atribuições constitucionais em prol do desenvolvimento da sociedade brasileira.