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“- Conserve os olhos na bola!”

Rogerfederereyeintheball

Inúmeras vezes já ouvimos essa frase de nosso treinador, seja em momentos em que precisamos concluir uma jogada, ou mesmo depois de um erro.

Mas se é tão básico assim esse fundamento, que para alguns é o mais importante do tênis, porque, muitos tenistas amadores e profissionais cometem esse tipo de erro de não manter os olhos na bola?

Parece um pouco contraditório esse post, até mesmo pela a natureza do esporte tênis onde há sempre um objeto móvel se movimentando, e que para a realização do ponto tem que obrigatoriamente golpear esse objeto, que neste caso é a bolinha.

Porém, a instrução “conserve os olhos na bola” não é pronunciada a toa por Bill Tilden, onde ele diz: [...] observe a bola do momento em que começa a atira – lá para sacar, até ao final do ponto e nunca olhe para qualquer coisa [...] .

Bill Tilden explica que não há a necessidade de olhar para qualquer tipo de objeto, quando a bola está em jogo, pois, o tamanho da quadra não mudou e o tenista amador deve ter noção fotográfica de onde está, e para isso necessita-se de uma boa noção de posicionamento em quadra, bem como os outros objetos da quadra com a rede e demais equipamentos permanentes permanecerão parados até o término do ponto; logo, não têm porque preocupar-se com qualquer objeto além da bola.

Um menos avisado pergunta: “Mas e o adversário?”

Um bom jogador saberá onde colocar os seus golpes, e se estiver jogando contra um bom jogador terá apenas que preocupar-se com a seguinte devolução (que se for feita a partir de um bom golpe, tornará difícil o retorno favorecendo o atacante do ponto); se estiver jogando contra um jogador ruim, terá certeza que o mesmo não estará no local de destino do golpe.

Um dos princípios básicos que passam sobre essa técnica de ensino de Tilden, quando o mesmo fala de manter os olhos na bola, faz bastante sentido quando levamos em consideração o seu exemplo, onde considera os olhos como uma câmera fotográfica, onde ele diz em seu livro:

”[...] Qualquer um de nós que já tenha tentado tirar uma fotografia de um objeto em movimento, com uma pequena máquina, conhece os resultados.

Ocorrem duas coisas: usualmente conseguimos um fundo claro, nítido e bem delineado e um borrão onde o objeto móvel – trem, carro, bola, ou o que for – não foi focalizado bem; on então, ocasionalmente, conseguimos o inverso: um fundo borrado, sem nitidez, e o objeto móvel, nítido e aparentemente estacionário. Os olhos funcionam da mesma maneira, quando você observa uma bola vindo em sua direção. Ou você verá um fundo claro e uma bola desfocada e incerta, ou um fundo borrado e incerto e uma bola clara. No primeiro caso, seus olhos não se conservaram na bola durante toda a sua trajetória, resultando que, ao alcançá-la, ela estará fora de foco e provavelmente você a golpeará mal.[...]”

Pode parecer até engraçado a forma didática em que Bill Tilden aborda a questão, mas se pensarmos a quantidade de jogadas que viram erros não forçados por causa desse tipo de erro, a tônica do assunto começa a perder a graça. Em dados levantados em sua década, Tilden chegou a conclusão que 70% dos pontos de uma partida de tênis vinham dos erros não forçados, e que  60 a 70% desses erros eram conseqüência de não se olhar a bola durante a execução do golpe.

O campeão do USOpen 2009, Juan Martin Del Potro faz exatamente como Tilden ensinou

O campeão do USOpen 2009, Juan Martin Del Potro faz exatamente como Tilden ensinou

Na conclusão do assunto Bill Tilden aborda os tipos de situações onde ocorrem mais os erros de não se manter os olhos na bola:

- SAQUE: Esse tipo de erro acontece no ponto de contato entre bola e raquete, quando o sacador está visualizando mais o outro lado da quadra e a posição onde vai posicionar o saque;

- PASSADA: A pressão se dá nesse momento quando o jogador adversário sobre a rede, e com isso, tentando distrair com a sua movimentação e posicionamento o jogador que irar realizar o drive, que tentará adivinhar algum lugar onde o mesmo não estará;

- VOLEIO: O erro acontece quando o voleador não se concentra em executar um bom voleio angulado e fundo; mas sim com o posicionamento do adversário em quadra, fazendo que o voleio saia com menos força, ou sem a angulação devida;

- SMASH: Nesse caso o jogador que irá realizar o smash, ele está mais concentrado em saber onde o adversário está na mesma situação descrita no voleio.

Dentro dessa grande lição de Bill Tilden, fica a discussão sempre sadia sobre a técnica no tênis, onde em tempos que discutimos muito materiais e equipamentos, sempre tem espaço para levantar esse tipo de discussão. Boa semana e bons treinos.

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