Comentário sobre o Capitulo 10 do livro “Tênis como jogá-lo melhor” de William T. Tilden, grande tenista americano da década de 20
Roger Federer executando um voleio de esquerda
Nesse capitulo Bill Tilden mostra de maneira esclarecedora a utilização do voleio como ferramenta tática para jogadores agressivos, que tem como características a subida à rede; e com a lucidez que lhe é peculiar, demonstra que como o voleio apesar de ser um golpe de extrema agressividade pode ser a ruína do tenista se o mesmo demonstrar precipitação para com essas subidas à rede.
Bill Tilden diz no primeiro parágrafo do livro que o voleio “[...] é ofensiva esmagadora que arrasa do adversário, ou destrói a si mesma, pela a própria fúria do seu ataque[...](Pg 90)”.
O voleio no tênis moderno há muito tempo deixou de ser uma arma fundamental no jogo de um tenista haja vista os seguintes fatores:
• A evolução dos componentes dos materiais esportivos que tornou o drive muito mais potente, o que potencializa quase todas as trocas, até mesmo em devoluções em que o tenista está em desequilíbrio chegando a exercer 180 Km/h em uma simples troca de bolas;
• A cultura de diferenciação em que simplista não joga com duplista, onde o primeiro por falta de exercícios e prática em jogo deixa de colocar em prática o jogo de rede onde seriam bastante utilizados os seus voleios
• A baixa ênfase na personalização dos treinamentos, onde não se formam mais tenistas completos, ou de acordo com as suas características, e sim formam somente basistas e two handed backhanders, como se fosse um padrão universal
• E a lentidão das superfícies, onde o tenista devolvedor de uma bola quase sempre chega bem a ponto de fazer um grande ponto mesmo em uma bola bem colocada.
Muitas das vezes o jogo de rede pode ser por si só muito desgastante, se o jogador depender exclusivamente da técnica do drive fundo e angulado para tirar o adversário da quadra, e subir à rede em todas as bolas.
Antigamente havia uma preocupação em especial pelo o fato de haver pisos mais velozes do que os atuais, com o aumento dos jogadores de rede; e como vemos hoje no circuito profissional esse fenômeno se inverteu e hoje há uma boa qualidade no jogo de drive, porém, o jogo de rede hoje é muito pouco utilizado até mesmo no circuito profissional, onde até mesmo tenistas top 10, utilizam muito mal esse tipo de atributo.
Bill Tilden explica nesse capitulo também que a rede é o destino final do tenista, onde ele deve ir até o final do ponto “[...]não importa quanto tempo ele tenha que se defender ou manobrar[...]”
Taticamente o voleio pode ser utilizado para jogadores que desejam concluir o ponto o mais rapidamente, evitando desgaste em muitas trocas de bola no fundo de quadra. Porém, a utilização do approach e a ida para o voleio não pode ser considerado como uma falta de paciência pelo o tenista, pois como já mostrado aqui, com a evolução dos materiais e com a força dos drives, mesmo com uma bola angulada, as chances de conclusão do ponto é de 50% se não houver uma adequada escolha da posição do voleio.
Bill ensina que sempre que subir à rede o tenista deve matar o ponto o mais rápido possível, e jamais defender na rede, pois as chances de passada aumentam a cada troca de bola junto à rede.
Mecânica do Voleio
Bill explica que a mecânica do voleio é idêntica na direita e na esquerda e que o pé que vai à frente é o oposto do lado em que vem a bola; e cita algumas recomendações:
1 – Empunhadura continental;
2 – Corpo de lado na rede, e jogo de pés o mesmo do que no jogo de fundo;
3 – Raquete pra cima do pulso, preparação curta, e não acompanhamento da bola. Bloqueio da bola para a direção desejada;
4 – Angulação da cabeça da raquete e joelhos flexionados para a realização de um voleio em que a bola venha baixa.
A distância ideal para que seja efetuada uma boa cobertura da rede é de cerca de 1,80 a 3 metros da rede.
O voleador tem que ter a noção que a posição de ataque é muito mais custosa fisicamente do que, por exemplo, o esforço do jogador de drive; e o ideal para a preparação de um voleio é a bola de aproximação; em geral funda e angulada para tirar o adversário da quadra; subida imediata após a batida, e posicionamento à rede para matar o ponto. Seguindo os conselhos do Bill Tilden pode-se melhorar e muito a prática do tênis social.

Esse voleio no 2º set de Wimbledon de 2009 fez falta para o Andy Roddick








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