O convite para o bate-papo com o Marcio, me surgiu após uma matéria que eu li na Revista Época em meados de Agosto, onde aparecia o corredor americano Dean Karnazes como um dos maiores ultramaratonistas que já existiu, e ao colocar a matéria aqui no Esporte Social, eis que vejo o comentário na própria reportagem pela a internet:
“Ultramaratonista Brasileiro – Vocês sabiam que eu sou o unico atleta do mundo inteiro a finalizar a Copa do Mundo de 217 km em ambientes extremos, a badwater que o dean desmaiou na primeira vez que fez, eu na primeira vez trouxe a fivela para o Brasil, o Dean correu uma maratona com 40º negativos, eu corri 217 km com 40 negativos conforme foi acompanhado pelo esporte espetacular, já corri 7 dias dentro da Floresta Amazônica, ja Corri 217 Km na serra da mantiqueira, o Recorde de Brasilia a Goias é meu, no mês passado corri do Rio de Janeiro a Búzios(200 Km) divulgando o trabalho do INCA na cura do Câncer, nesse sábado corri 100 Km em esteira no Mc Dia feliz para ajudar as crianças com Câncer, a diferença é que o atleta é americano e o brasileiro ninguem da valor.”
Depois disso pensei em procurar imediatamente esse talento nacional, onde ele compartilha as suas experiências, e diversas histórias da sua vida e a curiosa forma em entrou no mundo das ultramaratonas, e mostra que até a vida esportiva “extreme” requer diversos cuidados e proporciona momentos incríveis.
Esporte Social: Defina para os leitores do Esporte Social quem é Márcio Villar?
Márcio Villar: Marcio é um cara apaixonado pela Ultramaratona, onde se sente feliz e realizado.
Esporte Social: Apresente ao pessoal do Esporte Social os seus recordes e conquistas.
Márcio Villar: Único atleta do mundo a finalizar a Bd 135 World Cup, a Copa do mundo de 217 Km em ambientes extremos considerada a mais difícil do mundo.Recordista do desafio Brasília-Goiás (140 Km), Campão das 24 horas do Rio de janeiro em 2007, 29/08/2009 ” DESAFIO 100 Km em esteira – Mc Dia Feliz 10:34Hs, 18 e 19 de julho 2009 ” DESAFIO RIO DE JANEIRO / BÚZIOS” 200 Km, Divulgando o INCA Voluntário, 05/2009 – 24 Horas de Santa Maria – RS 2º Categoria, 02/2009 – Arrow Head Ultramaratona USA – Na neve – 50º abaixo de zero 6º Lugar Geral, 10/2008 – Jungle Marathon – Floresta Amazônica 5º Lugar Geral, 07/2008 – BadWater Ultramaratona 2008- EUA Tempo: 42:07Hs, Fivela 12/2007 24 Horas da Argentina 8º Lugar Geral, 09/2007 – Ultramaratona de Brasília – Pirinópolis (Goiás) – 140 Km RECORDISTA DA PROVA, 08/2007 24 Horas de Mesquita – RJ 1º Lugar Geral, 05/2007- 24 Horas de Curitiba 1º Categoria, 01/2007- BR 135 – ULTRAMARATONA 6° lugar Geral, 12/2006 – 24 HORAS DE SALVADOR 2º Categoria, 10/2006 – Jungle Marathon – Floresta Amazônica, 6º Lugar Geral, 04/2006 – Ultramaratona Noturna de 12 Horas – São Caetano do Sul 2º Categoria, 12/2005 – Ultramaratona 24 Horas – São Caetano do Sul 1º Categoria
Esporte Social: Qual foi a sua iniciativa para começar a correr?
Márcio Villar: Foi para emagrecer estava com 97 Kg e estava me sentindo muito mal, até para dormir esta ruim com azia o tempo todo, as roupas cada vez maiores e a vida estava uma droga, há sete anos (15/09/2002) eu e meu irmão bem gordinho também nos inscrevemos em uma corrida da Adidas de 8 Km (cada um correu 4 Km) e nunca mais parei
Esporte Social: Hoje, qual é o seu principal objetivo dentro das competições, e também quais são as suas futuras realizações pessoais?
Márcio Villar: Meu principal objetivo é superar limites, tentar fazer algo que nunca ninguém conseguiu, sempre procurando algo inédito e indo La para derrubar barreiras.
Esporte Social: Depois de começar a correr quais foram às maiores diferenças no seu físico, e no seu lado mental?
Márcio Villar: Eu nasci novamente, hoje sou outra pessoa, estou muito melhor com meus 42 anos que quando tinha 30 anos, sai de um manequim 48 para 40, e a parte mental então foi fantástica, hoje graças aos desafios aprendi a ter um controle mental incrível e hoje sou uma pessoa muito feliz.
Esporte Social: A corrida de rua está em ascensão no Brasil com a multiplicação de adeptos por todas as cidades, novas competições, mais como foi à decisão de entrar em competições como as ultramaratonas?
Márcio Villar: A mudança para Ultras veio sem querer, um dia eu recebi um e-mail falando que iria acontecer uma Ultramaratona de 24 horas em São Caetano do Sul – SP e não acreditei, fiquei pensando como alguém conseguia uma coisa daquelas e todo dia abria o mesmo e-mail e lia a matéria e pensava um dia eu vou fazer uma coisa dessas e em um dessas dias me deu um estalo e pensei “ um dia nada vai ser agora” e fui lá e me inscrevi na prova, fui lá e corri 166 Km ficando em 1º lugar na minha categoria, eu chorava feito criança, não acreditava no que estava acontecendo, foi amor a primeira vista, depois disso nunca mais fiz provas curtas.
Esporte Social: Como uma pessoa “normal” pode entrar nesse mundo extremo das ultramaratonas? Como foi a sua transição?
Márcio Villar: Qualquer pessoa pode, basta treinar muito, mas não só a parte física tem que treinar muito o lado mental, pois sem ele não se chega a lugar nenhum, no meu caso não houve transição, como já falei foi amor mesmo, mas o conselho que dou as pessoas é ir mudando aos poucos de 5 Km para 10, depois para meia maratona, depois para maratona e quando já tiver feito umas 5 maratonas da para começar a pensar em Ultras mais curtas como as de 100 Km ou as de 12 horas.
Esporte Social: Se pudesse dar dicas para as pessoas que estão amadurecendo a idéia de entrar nas ultramaratonas o que recomendaria?
Márcio Villar: Venham porque não existe nada mais gostoso e fantástico nesse mundo, a Ultra é diferente de todos outros esportes, pois os atletas se ajudam, lógico que existe a competição todos querem ganhar, mas nós sabemos o sacrifício que é e um ajuda o outro se precisar durante a prova com comida, medicamento e o que for necessário para não deixar o outro desistir, pois todos nós queremos que todos cruzem aquela linha de chegada que é mágica.
Esporte Social: Quais são as dicas para quem deseja ser um superatleta como você?
Márcio Villar: Fazer o que gosta, eu amo a Ultramaratona, é onde me sinto feliz, então para eu treinar com uma mochila com 15 kg nas costas, puxando pneu, dentro de sauna, dentro de frigorífico, ao sol de meio dia, isso tudo é um prazer e não sacrifício, pois eu me preparo adaptando o treino ao tipo de prova que vou fazer para chegar na hora conseguir, lógico que em uma prova longa pode acontecer de tudo, mas vou preparado para enfrentar o pior, costumo falar que sofro mais no treino que na prova para nada me impedir de cruzar a linha de chegada.

Esporte Social: Depois de inúmeras competições pelo o Brasil e o mundo, quando foi que você sentiu a necessidade de compartilhar parte do seu conhecimento com as pessoas?
Márcio Villar: Quando comecei a receber e-mail de varias partes do Brasil e até do exterior de pessoas me pedindo ajuda para emagrecer que tinham perto dos 100 Kg e conheceram minha história, a palestra que dou é muito bacana
Esporte Social: De que forma você sente o retorno de suas palestras na vida das pessoas, você mantém contato com alguém que já assistiu alguma das suas palestras? E qual foi à mudança mais significativa que você já teve noticia de pessoas que já passaram por suas palestras?
Márcio Villar: Na palestra eu conto desde que eu era sedentário com 97 Kg passando pelos maiores desafios da minha carreira até me tornar o único atleta do mundo a conseguir finalizar todas as provas da Bad 135 World Cup.
Mantenho contato sim inclusive um dos contatos é o Túlio que é gerente do Restaurante Petiskeira em Porto Alegre e virou Ultramaratonista também e está patrocinando minha ida para disputar uma prova de 24 horas em esteira no próximo fim de semana no maior shopping de Porto Alegre dias 18 e 18/09
Esporte Social: Qual é a sua agenda de palestras?
Márcio Villar: Estou com uma palestra para dezembro em Porto Alegre e outra no Rio de Janeiro (no INCA – Instituto nacional do Câncer) onde sou voluntário e corro com a bandeira deles.
Esporte Social: Vamos entrar em um tema complicado que é o patrocínio no Brasil. Na sua opinião quais são as maiores dificuldades em encontrar patrocínio em esportes extremos como o seu?
Márcio Villar: O problema que o Brasil só dá valor a futebol, eu trabalho o dia todo e vou treinar a noite, a Ultramaratona não tem premiação em dinheiro, dependo da ajuda dos outros para competir e uso equipamentos emprestados que nem sempre são os idéias para mim, eu não tenho que provar mais nada para ninguém, só eu no mundo inteiro conseguiu atravessar o deserto mais quente do mundo, as montanhas da Serra da Mantiqueira, os 40 negativos de Minessota e os 7 dias da Floresta Amazônica, isso sem apoio, sem patrocínio, fazendo por amor, por paixão, imagina se tivesse tempo para treinar o dia todo, com equipamento de primeira, alimentação apropriada? Já tinha dado a volta ao mundo correndo, são dão valor a estrangeiros quando vem aqui e fazem alguma coisa, brasileiro não tem valor.
No mês passado eu fiz um desafio de 200 Km correndo do Rio de Janeiro até Búzios para divulgar o trabalho do INCA na cura do Câncer, não apareceu uma empresa para ajudar, só tive ajuda do Deputado Índio da Costa e da Gatorade e olha que foi por uma causa social, no fim do mês dia 29 de agosto fiz 100 Km em esteira no Mc Dia feliz para ajudar na arrecadação na venda de Big Mac para as crianças com câncer e 3 pessoas viram perguntar se eu falava português enquanto eu estava correndo, porque? Será que um brasileiro não consegue? Temos que acreditar nos nossos atletas e divulgá-los, agora vem álgüem de fora faz uma coisa comum e sai em todos jornais, revistas, tv só porque é estrangeiro
Esporte Social: O que falta no modelo de alto-rendimento brasileiro no que diz respeito a incentivos?
Márcio Villar: A própria Federação de Atletismo nos apoiar, pois na Europa, EUA, Argentina tem varias Ultras e com apoio, aqui nem somos reconhecidos pela federação
Esporte Social: Hoje, vale a pena ser atleta ultramaratonista no Brasil se pensarmos na transição do amadorismo ao profissionalismo?
Márcio Villar: Se for pensar em ganhar dinheiro, vai morrer de fome, não tem premiação em dinheiro, nenhuma empresa apóia, só por amor mesmo
Esporte Social: O que você acha da Lei Agnelo-piva que provêm o benefício do bolsa atleta? Você faz parte desse programa?
Márcio Villar: É um ótimo incentivo, mas me parece que é só para esportes olímpicos que não é o meu caso, então infelizmente nem ai posso conseguir ajuda.
Esporte Social: Recentemente a revista época e diversos jornais como o Globo destacaram o lançamento do Livro do Dan Karnazes (ultramaratonista americano) aqui no Rio de Janeiro. Percebi que muitos brasileiros, inclusive no seu caso, não recebem a devida notoriedade tendo às vezes uma meritocracia muito maior que os próprios estrangeiros. Você acha que a imprensa brasileira é muito fechada aos nossos talentos?
Márcio Villar: Primeiro quero deixar claro que ele é um ótimo atleta, mas nada fora do comum, aqui no Brasil temos atletas muito melhores que ele e que nem aparecem na mídia como o Walmir Nunes e o Marcos Farinazzo só para citar 2 nomes, os dois foram campeões da Badwater e da Brazil 135, mas são brasileiros e ninguém da valor, quero ver fazer trabalhando o dia todo e ir treinar a noite já cansado, ir competir sem material contando com ajuda de amigos,pegando tudo emprestado que nem sempre serve, dormindo em banco de aeroporto, chegando para a prova 2 horas antes porque teve que trabalhar até quase na hora da corrida, sem alimentação especial e mesmo assim conseguir resultados, pois é assim que os atletas se preparam para competir aqui no Brasil.
Esporte Social: De que forma isso prejudica o atleta no que diz respeito à visibilidade entre outros aspectos?
Márcio Villar: Mas isso não é só no esporte não, em qualquer coisa que se faça o brasileiro tem essa cultura que a do estrangeiro é melhor e se investissem nos atletas brasileiros seriamos campeões em todos os esportes do mundo, pois o brasileiro já consegue milagres sem apoio nenhum
Esporte Social: Qual é o critério que você utiliza para a montagem do seu calendário?
Márcio Villar: Meu critério é único: “-Quanto mais desafiadora melhor!”, quanto mais difícil e maior risco entra primeiro no meu calendário
Esporte Social: Márcio, onde você encontra motivação para competir mesmo tendo atingindo o seu objetivo principal que era sair da vida em que você se encontrava?
Márcio Villar: A motivação vem dos desafios, agora que me tornei o único a finalizar a Copa, estou criando desafios novos que nunca ninguém fez antes, só assim me sinto motivado.
Esporte Social: Quais são os maiores entraves psicológicos para o atleta de ultramaratonas?
Márcio Villar: O maior entrave é quando o atleta treina as pernas, mas deixa a mente de lado, pois tem momentos que só mesmo a força mental que te leva a continuar e cruzar a linha de chegada e esse trabalho mental tem que ser diário junto com o das pernas, nada de treinar escutando musica, tem que se concentrar no treino, mentalizar a linha de chegada e ir a luta
Esporte Social: Você já se encontrou derrotado fisicamente, mas mentalmente capaz de superar mais 500K m?
Márcio Villar: Pelo menos 3 vezes isso aconteceu e foi a força mental que me levou a cruzar a linha de chegada, a 1ª vez foi na Brazil 135 onde a lama entrou por dentro do meu tênis e dilacerou os meus dedos, eu andava com a ajuda de um cajado e tentando chegar no próximo posto de apoio para abandonar, quando me foi falado que tinha um atleta a 10 minutos na minha frente com dificuldades e resolvi que ia ultrapassá-lo, joguei o cajado para o alto só parando depois de cruzar a linha de chegada, depois disso que a única mulher da prova estava em perigo, voltei na prova resgatei a atleta e ainda vim com ela por 11 horas fazendo-a cruzar a linha de chegada. A 2ª vez foi na Jungle Marathon do ano passado (prova de 7 dias dentro da Floresta Amazônica) onde no 6º dia de prova na metade da etapa as solas dos meus pés decolaram devido ao grande calor e umidade de 90% corri por mais 40 Km chorando de dor, quando acabou a etapa e o sangue esfriou eu gemia sem parar, pela madrugada a enfermeira remendou as solas dos meus pés para eu largar para ultima etapa que era de 40 Km de areia, larguei chorando e conforme o sangue foi esquentando fui embora e faltando 14 Km comecei a mijar sangue e mesmo assim cheguei em 5º lugar geral e a 3ª vez foi na Arrowhead na prova de 217 Km com 40 negativos onde me tornei o único sul americano a conseguir completar essa prova até hoje e com isso o único no mundo a finalizar a Copa, nela quase morri congelado na primeira noite, do meio da prova pare frente minha comida e água congelaram, tive que comer neve que é um grande perigo e consegui completar a prova com 58 horas chegando em 5º lugar lembrando que eu fui o único atleta que sai do calor para correr na neve, os outros atletas eram da neve estavam acostumados, eu sai de 40 positivos para 40 negativos com 80º de diferença, me falaram que nunca nenhum brasileiro conseguiria terminar essa prova, que era questão de genética, era impossível eu fui lá e provei que o impossível não existe.
Esporte Social: Qual é o grau de importância da nutrição no seu esporte, e quais alimentos auxiliam para uma boa condição de corrida?
Márcio Villar: A nutrição é tudo, é o combustível, se não se alimentar direito é impossível terminar uma Ultra, você tem que correr comendo o tempo todo como se fosse uma locomotiva movida a carvão, se não alimentar, não anda. Muita massa, chocolate, Gatorade, frutas, proteína
Esporte Social: Depois dos fatores motivacionais que fizeram você entrar no mundo da corrida, o que você recomenda para os nossos leitores adoradores da Junk Food (comida industrializada, e cadeias de fast food)?
Márcio Villar: Levantem desse sofá e venham praticar esportes, como ele mudou minha vida, pode mudar a sua também, a 7 anos eu era obeso e sedentário e hoje represento nosso pais nas provas mais difíceis e perigosas do mundo
Esporte Social: Qual foi a sua prova mais difícil? E em quais condições?
Márcio Villar: A mais difícil foi a Arowhead de 217 Km com 40 negativos, pois se parar 30 segundos morre congelado
Esporte Social: E qual foi a condição mais extrema que você enfrentou?
Márcio Villar: Já enfrentei de tudo, o deserto mais quente do mundo com 55º positivos e seco, enfrentei neve com 40 negativos, Montanhas da Serra da Mantiqueira, Floresta Amazônica com calor de 42º com umidade de 90%, gosto disso de provas extremas, pois ai que está minha diferença para os outros atletas, na primeira dificuldade muitos abandonam e para mim nesse momento que começa a ficar gostoso
Esporte Social: Gostaria de saber qual é o seu local de treinamento, e quais condições você costuma treinar para uma ambientação em condições tão extremas as quais você tem que competir?
Márcio Villar: Normalmente meus treinos começam sempre na Barra da Tijuca onde trabalho, quando fui correr na neve puxando trenó eu corria na praia puxando pneu para acostumar o corpo, para a prova da Amazônia como tem que correr com a mochila com todo equipamento e alimento eu treino com uma mochila com 10 Kg até fazer ferida nas costas para acostumar com a dor, para o deserto treinava ao sol de meio dia e agasalhado e dentro de sauna.
Esporte Social: Qual a sua rotina de treinos, e qual é o volume dos seus treinamentos?
Márcio Villar: Infelizmente treino muito pouco, pois trabalho o dia todo e só tenho 2 horas por dia durante a semana, no fim de semana que aproveito para os famosos longos, tento fazer essas duas horas diárias mais sofridas possíveis.
Esporte Social: Cite algumas dicas para corridas de resistência.
Márcio Villar: Como em qualquer outro esporte só faça se gostar, pois não trás dinheiro, fama, nada, só riscos e reclamações da família
Esporte Social: Você sofre muito com lesões durante os treinamentos e corridas?
Márcio Villar: Só 3 lesões até hoje, 2 vezes na panturrilha esquerda e uma vez no joelho direito, mas nada muito grave
Esporte Social: Qual foi a vez em que você ficou mais tempo contundido, e quais foram as maiores dificuldades na readaptação dos treinamentos?
Márcio Villar: Foi apenas um mês, o grande problema é que você quer voltar fazendo a mesma coisa que fazia antes de se machucar e ai no primeiro treino cai na real que não é assim, que tem que readquirir aos poucos a forma
Esporte Social: Quais são os riscos inerentes a corridas extremas, e quais foram as situações em que você já passou por diversos perigos devido a prova?
Márcio Villar: Na Ahowhead devido a uma torção no joelho ia morrendo congelado, Na Amazônia em 2006 vi miragem no meio da mata fiquei delirando e na de 2008 dei de cara com uma onça no 2º dia e com muitas cobras, no deserto antes de conseguir me adaptar vomitei muito, pois devido ao calor não parava nada no estomago, tive que comer gelo para refrescar os órgãos para poder comer
Esporte Social: Qual o seu maior medo quando está competindo?
Márcio Villar: Não tenho medo de nada, só mentalizo a linha de chegada e vou em busca dela superando tudo que aparece pela frente e quando cruzo aquela linha de chegada me sinto a pessoa mais feliz do mundo, é um gosto que não tem explicação, não troco por nada e por dinheiro nenhum desse mundo.
Alguns vídeos do Marcio Villar:
Arrow Head
Esporte Espetacular
Jungle Marathon
SporTV








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