Após a apresentação de alguns conceitos, vamos entrar na questão da manutenção da velocidade, com um estudo rápido sobre alguns atributos básicos e como esses podem ser desenvolvidos no treino para corridas de velocidade.
Antes de tudo, vamos lidar nesse aspecto da manutenção da velocidade com alguns conceitos simples, mas extremamente importantes de serem lembrados durante as sessões de treino.
Essas variáveis são a Amplitude da passada (CP), Freqüência da passada (FP), Tempo de contato da passada (TCPas), Tempo da fase aérea(TFAe); onde a Amplitude da Passada seria o comprimento do passo a partir do contato do pé ao solo até o ponto do próximo contato; a Freqüência da passada é a média de passadas mediante um determinado coeficiente de tempo; Tempo de contato da passada seria o intervalo de tempo em que o pé permanece em contato com o solo; e finalmente onde o Tempo da fase aérea é a mensuração tempo em que o corpo permaneça suspenso no ar durante as passadas.
É importante lembrar que por se tratar se um estudo baseado em experiência de natureza empírica pode haver diferenciação e incrementos de novas variáveis, como inclinação corporal, elevação dos joelhos; mas isso será tratado em outra oportunidade onde será falado sobre os exercícios educativos.
Esses aspectos da manutenção da velocidade devem ser lembrados durante das fases de treinamento, pois, em grande parte das vezes uma prova é perdida por erros durante a manutenção dessa velocidade. Dois casos de excelência dessa manutenção da velocidade são os jamaicanos Asafa Powell que desde 2007, durante a primeira metade do ano anda em tempos muito semelhantes e sempre muito fortes, produto de treinos educativos bem sucedidos e uma manutenção adequada da velocidade; e também o monstro genético chamado Usain Bolt que tem nada menos do que a pior largada e o pior desempenho de aceleração, mas consegue manutenir bem a sua velocidade a ponto de na fase de desaceleração ‘natural’ dos velocistas (45m) ele consiga imprimir aceleração até os 78 metros (!).
Explicando melhor os fundamentos da manutenção da velocidade.
Amplitude da passada (AP): A amplitude da passada, juntamente com uma explosão muscular forte é que vai fazer com que o velocista desenvolva o máximo de velocidade com um esforço relativamente menor e de maneira mais eficiente. Os velocistas ‘top’ atuais têm em média de 2,15m por passada. Em um rápido comparativo, os fundistas que possuem as maiores passadas são geralmente os atletas do Quênia que possuem cerca de 1,55 – 1,65m em média de passada. Essa amplitude é mais latente na corrida nos metros finais quando a fadiga muscular é muito alta. O ideal para se aumentar a amplitude da passada é bastante treino técnico-educativo; musculação e um trabalho de mensuração e contagem de passadas, co um treino objetivando esse aumento de amplitude.
Freqüência da passada (FP): A freqüência da passada é a relação tempo e número de passadas executadas durante um determinado intervalo. Ao treino de velocidade (velocistas) quanto menor a freqüência de passadas durante uma prova melhor, pois quanto menor o número de passadas é menor será o esforço empregado. Vamos tomar, por exemplo, o Recorde olímpico de Usain Bolt que é no tempo de 9,69s onde nessa prova ele executou 41 passos. Logo:
41passos/9,69s = 4,23 passos/segundo
Se Bolt tivesse dado, por exemplo, 51 passos:
51passos/9,69 = 5,26 passos/ segundo
Como exemplificado, a freqüência da passada tem total relação com o comprimento da passada, onde se esta é mais curta se emprega uma força e esforço maior do que com uma passada com mais amplitude.
Tempo de contato da passada (TCPas): Nas provas de velocidade extrema como os 100 e 200 metros rasos; geralmente os velocistas não executam a pisada completa na pista; onde esta pisada completa começa com o amortecimento dos calcanhares até a completa planação, onde terminará o movimento quando a ponta do pé deixar completamente o solo. Velocistas literalmente correm na ponta dos pés, prova disso é que as sapatilhas para os sprinters têm as travas somente na região do antepé (ponta dos pés). Como dito anteriormente, esse contato não vai ser somente de um passo normal, e sim de um movimento contrário empregando força como se a trava fosse ‘varrer’ a pista, e com essa tração com o máximo de força e com o mínimo tempo possível é o ambiente ideal para realizar a manutenção da velocidade; uma vez que com o menor contato e com o máximo de explosão nessa tração, consegue-se mais velocidade a cada passada. Esse contato deve ser minimizado em seu tempo e maximizado ao máximo a sua tração realizando exercícios educativos já empregando essa tração mesmo de maneira discreta, fazendo com que a cada passo o pé ‘raspe’ o solo.
Tempo da fase aérea (TFAe): A fase aérea começa no momento em que o pé se desprende do solo e o corpo fica totalmente suspenso do solo. Essa relação dá no momento em que quanto mais tempo no ar, logo, está se deixando de empregar velocidade, e conseqüentemente mais tempo vai levar para realizar o trecho proposto. O ideal para se minimizar essa fase aérea é manter a inclinação positiva (para frente) no limite desejável para se manter o equilíbrio e para que o corpo fique o menor tempo possível no ar.
Essas são observações que sem dúvidas merecem uma atenção especial durante o treinamento de velocidade para que a perda de velocidade que é progressiva e inerente a prova seja minimizada com o desenvolvimento desses atributos.
Para finalizar o post, veremos um vídeo antigo de Jesse Owens um grande velocista americano da década de 30.
Note-se que no 1:44 minutos, começa a disputa dos 100 metros rasos, onde após uma partida não tão boa, Owens realiza uma aceleração incrível de mais ou menos da faixa dos 30 metros. É bem interessante observar a cinemática da corrida de antigamente, com uma frequencia altissíma de passadas, aceleração, posição do corpo.
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