A Militarização do Esporte Olímpico Brasileiro. – Por Alberto Murray

Jul 8

Esse é um tema muito recorrente no qual algumas das vezes determinados setores da sociedade utilizaram o Exército, bem como as Forças Armadas como forma de promover uma determinada imagem para a imprensa em geral no âmbito esportivo. Pelé,  João do Pulo são exemplos de atletas que já serviram o Exército Brasileiro só para se ter uma idéia. Esse é uma previa do que será as Olimpíadas Militares de 2011 no Rio de Janeiro, onde há um grande movimento subliminar para que sejam recrutados o máximo de potenciais atletas possíveis para representar o país como no caso dos atletas Diogo Silva do Tae Kwon Do e da Ketleyn Quadros do Judô. Até então qualquer brasileiro desde que esteja em pleno gozo de suas faculdades mentais e saúde e que tenha mais de 18 anos pode exercer o seu dever de defender o país, mas até que ponto isso pode deixar levar as forças armadas para uma prática que não tenha qualquer relação com o desenvolvimento dos esportes praticados nos quartéis e, ou investimentos no desenvolvimento esportivo dos militares como um todo ao invés de elitizar o esporte e mais, até onde o dever militar está em acordo com o interesse de defesa da patria em sua função fim propriamente dita ? Além disso tem-se o custo a ser arcado pelo o Ministério da Defesa para a realização desse evento, onde, especulam-se que seja por volta de 1,27 Bilhões de Reais, onde segundo comparações do jornal em que foi publicada a informação “[...] custará mais que a conclusão do programa nuclear da Marinha (R$ 1,04 bilhão), considerado estratégico para colocar o país no seleto grupo dos que dominam o ciclo do combustível nuclear. Ainda para efeito de comparação, o valor da olimpíada da caserna é três vezes o que o Brasil já pôs na missão de paz no Haiti em quatro anos (R$ 431 milhões) e um quarto do pacote de reaparelhamento da Força Aérea, o FX2, estimado em R$ 4,5 bi.[...]“. Esses militares são chamados carinhosamente pelo o Alberto Murray de “gatos militares”.

Para aqueles que se surpreenderam, ainda tem os famosos gatos universitários, onde Alberto Murray brilhantemente os caracterizam,e  de que forma esses “gatos universitários” minam o verdadeiro esporte universitário no Brasil que está longe de ser um modelo de ética, cidadania, e respeito por aqueles que praticam um determinado esporte, mas não encontra alternativas no gremios das universidades, onde muitas das vezes, suas associações atléticas são apenas espaços anárquicos-estudantis que servem na maioria das vezes para se matar aulas ou mesmo proliferar idéias petistas ou coligadas a partidos políticos diversos, utilizando essa ‘elite intelectual’ como massa de manobra.

Nota do WebMaster: O Diogo Silva, e a Natália Falavigna, ambos do Tae kwon Do, foram campeões na Universíade 2009 que é uma espécie de jogos olímpicos entre universitários, e ambos ganharam medalhas no Pan 2007. Sinceramente gostaria de ver as notas escolares, e os registros de frequência desses ilustres ‘universitários’.

Nota do WebMaster II: Este pré-artigo foi escrito por um universitário, velocista, e militar; que surpreendemente desconhece qualquer tipo de seletiva que aconteceu (acontecerá) sobre esses jogos bem como o convite qualquer para a participação desses jogos, ou os referidos índices; seja pela a sua universidade, ou organização militar.

Fontes – Globo Esporte – Olímpiadas militares agitam Rio, Natália Falavigna é ouro na Universíade, Diogo Silva ganha ouro em jogos mundiais universitários.

Extraído de Alberto Murray Blog

Em ótima reportagem publicada hoje na Folha de São Paulo, o Jornalista Sérgio Rangel relata que o Comitê Olímpico Brasileiro (”COB”) quer “militarizar o esporte olímpico brasileiro.” Sempre defendi que as Forças Armadas deveriam participar de forma contundente na formação dos Atletas brasileiros e ajudar a massificar o esporte. Além de possuirem profissionais competentes na área da educação física, as Forças Armadas têm execelentes praças esportivas, que são subutilizadas Ocorre que o que o COB quer fazer não é nada daquilo que  precisamos para aprimorar tecnicamente os Atletas de alto rendimento, nem vai ajudar em nada a popularização dos esporte. O projeto do COB limita-se em pedir às Forças Armadas que incluam em seus quadros determinados Atletas de alto nível para que esses, ao mesmo tempo em que passam a ganhar uma remuneração melhor, poderão representar o Brasil nos Jogos Mundiais Militares, no Rio de Janeiro, em 2.011, a fim de que o País não faça um papel feio na competição. É a chamada institucionalização do “gato fardado”. A mesma coisa ocorre, desafortunadamente, no Esporte Universitário. Algumas Universidades, buscando promoção, convidam bons Atletas a integrar seus quadros de alunos, dão a eles certos privilégios, bolsa de estudos, sendo que, em muitas vezes, sequer frequentar as aulas eles precisam. Sua única obrigação é representar a Universidade em competições desportivas daquele segmento. São os chamados “gatos universitários”. Essa prática é amplamente condenada pelas pessoas sérias do Esporte Universitário, há anos. O COB, agora, segue o mesmo caminho, talvez com um pouco mais de pompa, porém com objetivos idênticos. Quando se pensa que o COB tem um grande projeto com as Forças Armadas, de inserí-la definitivamente no contexto da formação do desportista brasileiro e de colocar suas praças de esporte a serviço da população pobre, para praticar esportes, eles vêm com essa “militarização” condenável. O COB também aproveita para tirar das suas costas um peso que é seu, o de remunerar melhor os Atletas de alto rendimento. Ao tornar os nossos “Atletas” os mais novos “militares” da nação, caberá às Forças Armadas dar a eles uma complementação salarial. O COB se livra dessa e pode gastar mais um pouquinho das verbas da lei Piva em quesitos de administração interna da entidade. Talvez trocar o tapete da sala da presidência.

E tomara que o Brasil não entre em guerra com o Suriname, porque aí nossos Atletas militares terão que ir para campos de guerra diferentes, para os quais não estão preparados.

 

 

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