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É um grande orgulho que coloco aqui o bate-papo com o Sr. Celso Wolf Jr. Presidente da Confederação Brasileira de Badminton, onde se destaca aqui a atuação da seção de comunicação onde tornou possível essa conversa. Nesse bate-papo, Celso Wolf esclarece algumas questões sobre a expansão do esporte, Lei Agnelo-Piva, e porque a mentalidade do brasileiro é tão influenciada a ponto de restringir a adoção de um segundo esporte além do futebol.

Para quem deseja conhecer mais sobre o Badminton pode encontrar informações no síte da Confederação Brasileira de Badminton.


ESPORTE SOCIAL: A cerca de 2 meses e meio o Senhor no Esporte Espetacular deu uma série de declarações interessantes sobre a Lei Agnelo-Piva e colocou algumas restrições e fez algumas considerações sobre o que estaria sendo feito com a verba. O que o Sr. tem a dizer dessa Lei? Ela satisfaz mesmo os interesses dos atletas? Quem está ganhando sem fazer jus, e o Sr. sabe de alguma  federação (não precisa citar qual) que faz algum tipo de irregularidade com os recursos repassados?

CELSO WOLF Jr.: A Lei Piva, por enquanto é muito importante para nós e várias Confederações, pois é a única verba que dispomos no Brasil, pois patrocínio é extremamente difícil de conseguir. O problema é que o montante não atende o que a modalidade necessita para se desenvolver corretamente. O Brasil é muito grande, os custos não são baixos e precisaríamos de bem mais do que recebemos para se fazer um trabalho com ótimos resultados. Atualmente recebemos R$ 800.000,00 por ano.

Das Federações que conheço não sei de caso algum de mau uso da verba.

Existe na minha opinião um problema na distribuição da verba entre as Confederações, pois exatamente as que têm patrocínio são as que mais recebem da Lei Piva, pelo fato de serem modalidades já bem desenvolvidas, como vôlei, basquete, ginástica. Se eles já têm patrocínio inclusive de estatais, deveriam receber menos da Lei Piva e as modalidades que precisam se desenvolver deveriam receber mais. Como vamos organizar uma olimpíada sem desenvolver todas as modalidades?

 

ESPORTE SOCIAL:O Badminton é praticamente o primeiro esporte de muitas crianças, que  ainda pequenas brincam com as famosas ‘petecas’ de couro; eu sou dessa  geração que cresceu jogando ‘peteca’ e que mais para frente conheci o  Badminton. Porque o Badminton, apesar de ser um esporte que reúne todas as características de um esporte de país tropical como o nosso tem tão poucos praticantes, e o que a federação está promovendo para expandir e difundir o nosso esporte?

CELSO WOLF Jr.: Todo esporte precisa aparecer na mídia para que as pessoas o conheçam. Infelizmente no Brasil, a mídia “esportiva” só pensa em futebol. Não existe uma alternância de modalidades, ou programas na TV sérios sobre divulgação de esportes em geral. SEMPRE que por algum motivo aparece algum evento de Badminton na TV, na mesma semana já recebemos emails e telefonemas, sobre como iniciar com o esporte, onde praticam etc. O exemplo foi os Jogos Panamericanos, somente porque apareceu um pouco na TV, imediatamente aparecerem estados interessados em abrirem federações estaduais para a modalidade.

Veja que interessante, a cidade no Brasil que tem mais locais de pratica de Badminton não é no sul/sudeste, é a cidade de Teresina no Piauí, que tem mais de 26 locais de pratica, pois a Federação local fez um ótimo trabalho nas escolas, e o futebol não atrai tanto a mídia de lá.

ESPORTE SOCIAL:Eu tenho reparado muito que o tênis vem tendo uma falta de crescimento no que diz respeito a poder aquisitivo de equipamentos, e o Badminton é um esporte que com menos de 200 reais você compra um jogo de raquetes e já está pronto para jogar. O Sr. acha que esse é o caminho para a popularização  do  nosso esporte?

CELSO WOLF Jr.: O custo é importante sim, mas, este é outro exemplo da mentalidade esportiva brasileira.

O custo de importação de qualquer raquete, petecas, etc. para a pratica é absurdo (tênis ou Badminton) Peça para um despachante aduaneiro fazer os cálculos para você para importar uma raquete, verá que não é possível desenvolver nada desta maneira.

São: Imposto de Importação = 20% – IPI = 20% – PIS COFINS = 9,5%, fretes, etc, etc.

Veja quanto se paga de importação para uma garrafa de bebida alcoólica e verá que não tem sentido estes valores.

Isto quer dizer que um garoto na Alemanha (com o pai ganhando em Euros) paga pela mesma raquete, mesmo modelo e marca, a metade do que um garoto brasileiro, para iniciar a pratica do esporte!

Isto não tem nada de social, certo?

Somente a CBBd é isenta de impostos para importação de material para uso próprio.

ESPORTE SOCIAL:Saindo um pouco da esfera de equipamentos, e vamos ao olho do furacão  que se chama esporte de alto rendimento. Particularmente, o site Esporte  Social acha que antes de termos campeões olímpicos, precisamos ter uma  cultura esportiva multidimensional e que antes de ser um objeto para se  alcançar a glória e o reconhecimento (além da satisfação financeira e  ascensão social) o esporte tem como finalidade numero um a sociabilização,  comunhão dos povos e a consagração da boa saúde. Qual é a mentalidade da CBB em relação ao esporte recreativo e ao esporte de alto rendimento? Há algum critério de diferenciação no tratamento? E quais as políticas para o biênio 2009/2010?

CELSO WOLF Jr.: São duas atividades importantes, recreação e alto rendimento. Recreação porque na verdade nesta área é onde se percebe os benefícios de se praticar uma atividade esportiva, se percebe a socialização entre as pessoas, benefícios de saúde, atividades nas escolas que ajudam o desenvolvimento intelectual, embora no Brasil nas escolas não se tenha mais incentivo para a pratica esportiva (outro problema da falta de mentalidade esportiva brasileira)

O alto rendimento é extremamente importante também, mas bem mais complicado, pois é nesta área que aparecem os ídolos, os astros que aparecem na mídia e fazem a modalidade aparecer e se desenvolver, isto é inegável e necessário, mas é caro, requer um grande conhecimento técnico, atletas dispostos a este sacrifício, estrutura capaz de atender todas as necessidades destes atletas, etc. e devido aos sacrifícios impostos, não quer dizer saúde, e sim sacrifício de quem se submete a isto.

ESPORTE SOCIAL:Atualmente qual é a quantidade de pessoas que jogam Badminton no Brasil em uma estimativa?

CELSO WOLF Jr.: Atualmente temos uma estimativa de cerca de 15.000 praticantes no Brasil.

ESPORTE SOCIAL:Se o Sr tivesse poder político o que mudaria na Lei Agnelo-Piva?

CELSO WOLF Jr.: Sempre alguma coisa é possível mudar e melhorar, mas os valores deveriam ser bem mais altos, se o Brasil quiser ter esporte de nível olímpico. Acho que o controle do uso das verbas deve ser mantido, embora seja extremamente burocrático e atrapalhe muitas vezes nossas atividades. Todos os gastos são fiscalizados pelo TCU e muita gente não sabe disto.

ESPORTE SOCIAL:Fale para nós a relação entre a CBB e o COB? Há algum tipo de atrito  devido aquelas declarações? E sobre Carlos Arthur Nuzman, porque há tanta  restrição em relação a sua pessoa, e mesmo assim ele se re-elege a cada  eleição?

CELSO WOLF Jr.: Muitas pessoas me perguntam isto, pois me pareceu que foi um caso bem inusitado alguém contestar alguma posição do COB, mas não existe nenhum atrito entre a CBBd e o COB após o episodio, na verdade até melhorou.

Sobre o Presidente Nuzman, devo dizer que falam muita coisa que não é verdadeira, e acho que ele escolheu não rebater tudo o que falam, mas devido ao tempo que está no cargo, ficou um pouco afastado das Confederações, e a verdade é que o COB somente existe porque existem as Confederações, e após outras Confederações também contestarem esta forma de agir, estão mudando seu relacionamento e sua atenção para com seus membros. Muitas Confederações não contestam em nada o que o COB faz ou deixa de fazer.

ESPORTE SOCIAL:Qual é o maior apoio estratégico para a difusão do esporte que  federações estaduais estão adotando? E quais federações são mais atuantes?

CELSO WOLF Jr.: As Federações com melhores resultados são, como não podia deixar de ser, as que estão fazendo um trabalho nas escolas e não em clubes, que são Piauí, Pernambuco, Paraíba, Paraná.  As Federações de SP, SC, RS, já são tradicionais na modalidade e é onde estão os melhores jogadores , devido ao tempo que o esporte é praticado, mas são atividades dentro de clubes, o que é um problema pois são entidades fechadas para não sócios. Este é um dos grandes problemas desta briga de repasse de verba da Lei Piva para Clubes! Sou contra.

ESPORTE SOCIAL:Saindo um pouco da figura do presidente, o que o Sr tem de reclamar sendo um jogador de Badminton no Brasil?

CELSO WOLF Jr.: Como jogador, a reclamação é de termos poucos torneios! Precisamos melhorar muito tecnicamente, precisamos de um técnico de algum país bem desenvolvido na modalidade para nos ajudar, etc, etc. (estamos tentando contratar um técnico estrangeiro)

ESPORTE SOCIAL:E parta finalizar se o Sr. fosse ministro dos esportes por quatro anos o que faria para a difusão do Badminton e para a expansão do esporte social?

CELSO WOLF Jr.: Se eu fosse Ministro do Esporte, eu faria de tudo para se mudar a mentalidade esportiva no Brasil e não somente do Badminton. Se isto não for feito, não vamos evoluir. O governo tem que mudar, a mídia tem que mudar, os atletas têm que mudar, as Confederações têm que mudar, as empresas têm que mudar etc. Não adianta nada, a Confederação tentar evoluir sua modalidade, se o governo não evolui. Os dirigentes esportivos por lei (presidentes e diretores) são obrigados a serem amadores, não podem ser remunerados, a conseqüência é que, ou você é rico, ou aposentado ou é louco para ser dirigente. Se você não estiver dentro destas possibilidades acima, a dedicação ao esporte sempre será parcial, pois temos que cuidar de nossas vidas, temos que sobreviver.

Será que tem que ser um sacerdócio? Este é um exemplo, da falta de mentalidade esportiva.

Os dirigentes também precisam mudar, melhorar as estruturas existentes, etc.

Você é jornalista e sabe bem dos problemas na mídia, o futebol suga todos os recursos disponíveis e virou uma profissão para os cinegrafistas, locutores, jornalistas, etc, fazendo com que a atividade futebol, tenha uma importância muito maior do que teria na realidade, fazendo com que não se preocupem com o esporte em geral. Tem canal de TV que compra torneios de vários esportes extremamente importantes no exterior, não passa no Brasil e não deixa ninguém passar, para não “atrapalhar sua programação”, este é outro exemplo de mentalidade.

Temos uma Federação e uma ONG com projetos aprovados pela Lei de Incentivo ao Esporte para o Badminton, e não se consegue uma empresa sequer para aplicar o dinheiro nestes projetos, nem estatal, nem privada, e não é dinheiro de marketing esta lei, é imposto que ao invés de pagar ao governo paga para estes projetos, este é mais exemplo da falta de mentalidade esportiva.

Espero que tenha ajudado em alguma coisa e esclarecido algo. Se ficou com alguma duvida, pois o assunto é extenso, estou à disposição.

Um abraço;

Celso Wolf Jr - Presidente CBBd


2 Responses to “Bate-papo com Celso Wolf Jr. Presidente da Confederação Brasileira de Badminton”

  1. Caio says:

    Muito boa a entrevista, Flávio!

  2. Great job here. I really enjoyed what you had to say. Keep going because you definitely bring a new voice to this subject. Not many people would say what youve said and still make it interesting. Well, at least Im interested. Cant wait to see more of this from you.

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