Quinto set de uma partida de tênis. Já se foram 10 games do último set e as pernas já estão lentas, o saque não é o mesmo, os reflexos para defender com o backhand estão quase em câmera lenta, e o forehand não passa do meio da quadra…
Prova de 10.000 metros. Está na marca de 6.000 metros e as passadas começam a ficar inconstantes, a respiração irregular, a salivação começa a ficar incômoda, os joelhos latejam, e as pernas mais pesadas…
Última série de supino. O limite do plateau fora ultrapassado na série anterior. Começam-se as repetições… Uma, duas, três… A força diminui drasticamente… Quatro… Os braços tremem tentando resistir à força gravitacional de mais de 100 kg sobre a sua cabeça… Cinco… A respiração fica desordenada e inconstante… Seis… Qualquer tipo de visão já está nula só importando aquela fração de segundos que parecem séculos… Sete… A respiração para e os braços travam… Oito… Já não há resposta a estímulos externos, somente o alívio do peso fará retomar os sentidos…
Nos três cenários descritos anteriormente, o esporte nos coloca em situações de provação extrema, em que a nossa mente se torna a maior vilã, onde esta nos condiciona a desistir, parar, cessar de uma vez por todas aquela atividade que estamos fazendo por algum motivo; seja a dor, desconforto, seja pela a própria situação em si. Essa é a resistência mental, que funciona com uma espécie de âncora mental que não deixa ir além. Mas o que fazer para se vencer a própria mente em situações adversas.
Nas situações citadas no início do post, nota-se evidentemente que se trata de esportes individuais, e dois deles envolvem competitividade; mas os esportes individuais são os que apresentam o maior nível de fadiga mental, onde o indivíduo não preparado adequadamente perde em grande parte das vezes para si mesmo, onde que em situações onde normalmente ele estaria preparado para enfrentar, a mente o condiciona a não ir em frente como se o jogador segurasse uma âncora de mais de dez mil quilos.
Mas o que fazer para vencer a própria mente? Quais os principais desafios da mente sobre a resistência do nosso corpo?
Primeiramente, quando se chega um desafio muito grande, existem duas alternativas: Ou o corpo se rende e desiste de vez, ou segue em frente; este último vencendo a barreira mental que o desafio impõe ao corpo. Na primeira se cessa qualquer esforço imediatamente, e leva-se o corpo ao repouso o mais rápido possível. Sem vencedores, sem vencidos.
Na segunda alternativa, existe a superação, a força de vontade, a determinação, a fibra, a garra, e a vontade de vencer… Não a um adversário que muitas das vezes pode ter mais talento, ou pode estar melhor que você; e sim vencer a si mesmo, e superar as próprias limitações. E nesse caso não há medalhas para descrever tal momento, é um tipo de sentimento parecido com a plena sensação da superação própria.
Segundo algumas literaturas, alguns métodos de se controlar a psique são exercícios congnitivos-comportamentais de dispersão para que a mente consiga sair da imersão da situação e que ela não influa negativamente na atividade esportiva. Eis alguns dos mais comuns:
Provocação da distração: Durante a atividade procure não pensar diretamente no cansaço, em objetivos em curto prazo, principalmente em provas de longa duração e que envolvam resistência; pois, a mente será condicionada a dizer para o seu corpo parar, mesmo que este não esteja no seu ápice de desempenho e fadiga. Procure fixar o pensamento em coisas rotineiras e que façam distrair por alguns estantes daquela situação em que você sem encontra. É como um exercício onde você se visualiza somente no final, com isso haverá um bloqueio natural de pensamentos negativos. Lembre-se não pense na exaustão, visualize o final!
Pequenos objetivos: Se em algum momento você tiver a sensação que não vai conseguir chegar ao fim por algum motivo, estabeleça pequenos objetivos. Exemplo: se for uma partida de tênis estiver faltando cinco games, pense somente em jogar bem o game seguinte, sem pensar que faltam ainda mais quatro games. Na corrida, pense em cada quilometro separadamente. Use concomitantemente junto com a distração. Pequenas metas formam grandes objetivos!
Enrijecimento mental: Se as duas dicas anteriores não surtiram efeito, o ideal é tomar as rédeas da mente recusando-se a desistir (a exemplo do tenista Rafael Nadal em seus jogos) forçando a mente a suportar qualquer tipo de esforço; ou simplesmente colocar a mente para associar a atividade esportiva valorizando o caráter lúdico e recreacional, afastando a competitividade interna e valorizando a prática em si, passando por cima de sentimentos de orgulho, frustração, e afins. Não se entregue; se recuse a desistir!
Rituais: Falar palavras de apoio, bater a bolinha seis vezes antes de cada saque, benzer- se antes d entrar na pista; são alguns rituais que pode auxiliar a diminuir a pressão e aumentar a confiança interna para superar o desafio, na forma em que cada vez que você faz isso, se sente ‘pronto’ para o que vier. Tenha o seu ritual de preparação!
É sempre prudente ter a percepção suficiente de saber quando parar realmente. A linha que separa os corajosos e os idiotas é muito tênue, e ao seguir em frente sem que não haja o necessário preparo físico, o que poderia ser um ato de superação pessoal, pode se tornar uma ação extremamente nociva ao corpo; então cuidado com as percepções; e vença os seus limites sempre de forma saudável e com prudência, se não conseguir leve para a esportiva, no outro dia você pode estar melhor e finalmente conseguir ultrapassar os seus objetivos.







