Treinamento de Sprint de Asafa Powell

Jun 6

Os vídeos a seguir são de um seminário promovido pela a Universidade de Tecnologia de Kingston em Trinidad Tobago em 2008, onde Asafa Powell é membro do MVP (Maximising Velocity and Power) Track & Field Club da universidade em questão. O parceiro de Powell é o Velocista Jamaicano Darryl Brown.

Asafa Powell sem sombra de dúvidas foi um divisor de águas no que tange diversos aspectos do treinamento segmentado e dirigido a atletas velocistas, onde os seus métodos não somente tiverem uma importância para o seu desenvolvimento profissional, como estabeleceu novos paradigmas sobre o treinamento específico para provas como 60, 100 e 200 metros rasos; e parte do que vemos hoje sobre treinamento e até mesmo na utilização por outros atletas foi instanciado depois de Asafa Powell.

Algumas dessas mudanças no treinamento específico foram às seguintes:

- Mudança de tração na passada: Antigamente os velocistas somente tocavam com a ponta dos pés na pista e faziam mais esforço com a musculatura do quadríceps (mais especificamente o vasto lateral); nos dias de hoje encontrou-se uma forma mais eficiente de se conseguir o máximo de desempenho com a passada mais tracionada, onde, antigamente só havia o contato com a ponta dos pés, hoje há um trabalho de tocar com a ponta dos pés na pista como um movimento que é chamado de Sweep-Step (passo varrido em português) onde o esforço do vasto lateralé minimizado e com a força dos tornozelos, juntamente com a força do vasto lateral geram uma propulsão muito maior.

- Condicionamento nos exercícios educativos: Havia antigamente um padrão de treinamento onde os exercícios de aquecimento tinham a função única e exclusiva de preparar o corpo para a atividade a ser executada; porém, desse contexto surgiu o método em que o aquecimento em si já poderia ser a forma de um treinamento onde esse condicionava o atleta a adquirir maior coordenação motora, condicionamento físico específico para determinada musculatura, e condicionar a passada tracionada, esta última a parte mais difícil de obter resultados em curto prazo.

No começo do vídeo o treinador Stephen Francis explica que o fundamental no treinamento é a manutenção do ciclo Aquecimento – Alongamento – Largada – Hidratação.

No aquecimento é necessário cerca de 20 a 25 minutos para completo aquecimento da musculatura a ser utilizada na sessão de treinos. No começo do trabalho de aquecimento são lançados pequenos tiros lentos (30%) e conforme o desenvolvimento do trabalho de aquecimento vai aumentando a intensidade e velocidade progressivamente. Nota-se aqui que não há um trabalho Cardio a fim de acelerar os batimentos cardíacos, e sim somente um trabalho para o aquecimento dos músculos. Para quem acompanha o Esporte Social já leu um pequeno texto a respeito do aquecimento para a atividade física.

Logo após Francis recomenda que não se alongue os músculos antes da corrida, pois segundo ele, um músculo alongado é um músculo mais fraco, o que reforça a discussão de literaturas que foi apresentada anteriormente aqui no Esporte Social sobre aquecimento x alongamento.

Francis ainda recomenda que as fibras de contração rápidas, responsáveis pela a potência muscular nas provas de Velocidade, mantenham-se no extremo do aquecimento chegando a queimar durante o aquecimento. Ainda sobre o aquecimento ele reforça que o aquecimento tem que ser realizado com exercícios dinâmicos, onde haja movimentação durante a prática e de duração curta e específica. Após o aquecimento há prática dos exercícios educativos (drills) com saltos, rotação dos braços, A-B Skips.

Eis que após um determinado momento de re-hidratação há um pequeno alongamento passivo, onde Francis recomenda que se for necessário não passe de 10 segundos o alongamento, e após isso há o desenvolvimento da velocidade em tiros curtos a mais ou menos (70%) com o aumento progressivo da distância e da velocidade. O interessante é que há uma preocupação na qual o sprinter não corra grandes distâncias, e sim divida em pequenas partes para o recrutamento de fibras rápidas.

Após os tiros há uma pequena pausa para o que os caribenhos chamam de Suit, que é algo mais ou menos como uma massagem para amenizar as dores do treino.

Começa o treino de saída de bloco, com desenvolvimento do trabalho de explosão após o apito e largada a 15 metros. É nítido o alto nível de coordenação desses atletas levando em consideração que estão em um treino altamente técnico e que desenvolvem uma explosão muito forte na saída do bloco, pois, a saída é praticamente 60% da prova de velocidade. Após o treino de saída de bloco, há o alongamento passivo sem restrições.

Para quem quer uma idéia de como funciona o treinamento técnico de um atleta de alto rendimento e desenvolver um estilo de treinamento dirigido baseado nas premissas acima descritas é uma ótima oportunidade de observar e quem sabe implementar essas características em seus treinos.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Comments are closed.